Abro a janela. A mata dorme sob a neblina, mas em mim ela é verde vivo, cravada nas retinas da memória.
Sorrio. Ainda estou aqui. E, mais raro que isso: não desaprendi de sentir.
Lapidei-me com o tempo, não para endurecer, mas para não cegar. Nunca deixei de olhar com o corpo inteiro.
Houve dias em que a dor entrou como punhal sem fio, rasgando por dentro sem piedade. E houve outros em que dancei com estrelas distraídas, sem gravidade.
Entre a terra seca e o céu sem correntes, vivi. Meu Deus, como vivi.
Agora estou imóvel. A manhã é branca, a paisagem se esconde. Mas as emoções, ah, essas continuam nítidas.
Ontem, trocas de olhares inesperados, com um adorável sinhozinho, uma paquera leve, um tempo que esqueceu de passar. Sorri por dentro.
Marco Aurélio diz: “Como se fosse o último ato”. Eu respondo: como se fosse o único.
Porque se a vida cessasse naquele exato instante, partiria leve, com a alma aquecida por uma deliciosa, última emoção.
Simples assim...
Regina Carvalho- 6.2.2026 Pedras Grandes SC

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