sábado, 17 de janeiro de 2026

UM FRAGMENTO – UMA HISTÓRIA

Acordei pensando que não há livro algum capaz de conter as mais ricas experiências empíricas como o livro da vida.

Nele, somos capazes de conhecer infinitas histórias que, no mínimo, nos servem de guia sobre o que devemos ou não fazer, assim como nos permitem conhecer as milhares de facetas do caráter humano que, à primeira vista, parecem iguais ou muito semelhantes, mas que, na realidade, são absolutamente distintas, pois carregam em si as especificidades da essência de cada ser humano.

Daí a sabedoria popular garantir que “ninguém conhece ninguém”, nem mesmo aqueles com quem convivemos muito de perto.

Por que isso acontece?


Simplesmente porque não há uma só pessoa que se mostre integralmente. Há sempre uma certa reserva que, na maioria das vezes, nem ela própria é capaz de admitir possuir, seja por cautela ou até mesmo por medo de não ser devidamente compreendida. Em casos especiais, sequer é capaz de mensurar a sua existência, sendo surpreendida quando, de um momento para o outro, um certo gatilho, sem aviso prévio, eclode, deixando-a exposta.

Por algum motivo que, ao longo da minha vida, atribuí à minha paixão pela vida e por tudo o que envolve a criatura humana, passei a observá-la com mais atenção e cuidado, associando olhares às posturas físicas e emocionais visíveis.

Incrível foi o que fui descortinando e mais incrível ainda o fascínio com que cada uma dessas descobertas me foi envolvendo, tornando cada vez mais difícil não enveredar pelos seus labirintos, o que sempre se mostrou um estímulo irresistível.

Como deleitar-se integralmente com a vida sem que haja uma interação real e consistente com o outro, aquilo a que chamamos empatia?

Afinal, por que seríamos os únicos seres vivos dotados de consciência e raciocínio, portanto fragmentos completos deste universo existencial, se não fosse para que houvesse uma espécie de alinhamento, no mínimo coerente, entre ser e viver?

E então, meio louca nas minhas conclusões, penso que “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo” nada mais quer dizer do que isto: Deus é a vida, e o próximo é tudo quanto há na vida.

Simples assim?

Jamais. Afinal, o sábio Jesus compreendeu o quão complexa é a mente humana, com as suas variantes reveladas e camufladas, tornando esta, uma tarefa árdua, que exige de cada ser humano atenção e persistência para compreender e aceitar a si mesmo e aos demais como fragmentos fundamentais, diretos ou não da sua própria história.

Daí dizer-se que vivenciar a vida talvez seja a tarefa mais difícil a ser exercida e que precisa ser encarada como um verdadeiro sacerdócio de amor e dedicação à própria vida que, afinal, é o Deus que nos habita.

Regina Carvalho

17/01/2026 – Pedras Grandes, SC

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