Shô…Shô é o que aprendi a fazer com os encostos, sejam eles de que natureza forem, sempre que se aproximam sorrateiros para contaminar o meu prazer de existir.
Daí a necessidade de estar permanentemente vigilante, tal qual aquele ensinamento bíblico pregado nas igrejas, mas raramente compreendido, até porque, mais raro ainda, é ser devidamente explicado.
ORAI E VIGIAI!
Nada mais é do que uma orientação do mestre e sábio Jesus, amplamente citada em Mateus 26:41 e Marcos 13:33. Trata-se de manter-se atento espiritualmente para não cair em tentação, pois, embora o espírito esteja pronto, a carne é fraca. Exige-se, portanto, atenção aos pensamentos, às emoções e aos sinais, já que esses jamais falham, para que se viva uma vida mais harmoniosa.
Bem… como sabem, não sou religiosa. Ainda assim, como negar a lógica contida nessa expressão aparentemente simples?
Ao analisar, ao longo da minha vivência, o empírico e o teórico, reconheço cada vez mais o quão profundo era o entendimento do mestre sobre si mesmo e, naturalmente, sobre a humanidade. Talvez por isso tenha se permitido a mais intensa das terapias: quarenta dias e quarenta noites em que desnudou a própria mente, sem culpas, para conhecer os seus labirintos mais profundos. Ali, o necessário, que era a sua originalidade enfrentava as terríveis tentações do desnecessário, constantemente oferecido pelas convivências humanas. Assim, pôde optar conscientemente entre o sim e o não que melhor lhe cabiam.
A questão não era contrariar o fluxo religioso ou cultural do seu tempo, mas compreender a própria essência e oferecer a ela coerência entre posturas físicas e emocionais diante de tudo em que estava inserido. Afinal, ninguém viveria por ele a sua vida...
Penso no quanto, intuitivamente, precisamos ser salvos desse fluxo destrutivo que se expõe dia e noite, nas calçadas, nos becos e nos lares. Ainda assim, parece incapaz de nos conduzir a um lugar que verdadeiramente não apenas nos assuste ou choque e em seguida absorvido, como se as amostras do cotidiano externo não fossem suficientes para nos atingir, levando-nos à perda total da noção dos riscos e das inconsequências sistémicas.
Ledo engano…
Pensemos nisso quando se virmos frente a frente com o imponderável. Não haverá o que lamentar. Afinal, de uma forma ou de outra, tornamo-nos vítimas da leviandade, da preguiça, do medo, da conveniência ou de qualquer outra desculpa que sustente a nossa inércia existencial.
—Bom dia, dona Regina. Hoje é só uma segunda-feira… dê um tempo.
Regina Carvalho
19.01.2026 — Pedras Grandes SC

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