Absolutamente tudo. No entanto, é preciso reconhecê-la tal como se apresenta e se expressa.
Não me refiro aos costumes culturais ou à condição económica e financeira, mas a um todo absolutamente presente no quotidiano e que nem sempre é devidamente observado, muito menos compreendido: a própria pessoa.
Sim, porque não há nada mais fundamental do que o auto reconhecimento para que se possa estar minimamente equilibrado na inserção de um contexto absurdamente complexo, confuso e altamente indutor dos sistemas sociais.
Mas quem, de facto, pensa nisso em meio ao frenesi da subsistência.
Hoje ou há mil anos, agimos como bonecos robotizados, sem comando individual, apesar de estarmos convencidos do contrário. A prepotência, a arrogância e a inconsciência são, ainda, os moldes mais comuns e disponíveis.
Acreditamos que os núcleos de convivência nada mais sejam do que searas onde vigora a lei do mais forte. Assim, burilamos emoções primárias que nos oferecem modelos aparentes de sucesso e passamos a repeti-los como discos riscados, vida afora, dizendo a nós mesmos que essa é simplesmente a nossa maneira de ser.
Será mesmo? Ou essa forma de conduzir a vida é apenas a mais cômoda, aquela na qual nos encaixamos com menor resistência?
Afinal, se está dando certo, para quê complicar?
E assim, a vida vai passando sem que sintamos as delícias de nós mesmos.
Sim, porque somos gostosíssimos, lindíssimos e deliciosamente completos. Contudo, por ignorância, não nos igualamos ao sol nem à chuva nas suas potencialidades regeneradoras; não nos aproximamos da fartura dos rios caudalosos, tampouco nos tornamos um mar de mistérios inigualáveis, capaz de gerar vida mesmo na mais profunda escuridão.
Restringimos, pela inércia, tudo aquilo que poderíamos ser para nós mesmos e para tudo o que nos cerca. Levianamente, optamos por copiar modelos apresentados, assumindo formas brutas de outros animais desprovidos de racionalidade: chocamos os chifres da ganância e alimentamo-nos apenas das rações que o sistema repetitivo e viciante nos oferece.
“Vivo e não aprendo nada de especial. Nem sequer sei responder quem sou, além de mais uma cópia de originais desbotados.”
Regina Carvalho – 21.01.2026
Pedras Grandes – SC

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