Cá estou eu, vivenciando uma manhã absolutamente linda, com os olhos enxergando apenas o belo. No entanto, nada tenho na cabeça que me estimule a escrever.
Logo bem cedinho, quando abri a janela do quarto e me deparei com a incrível paisagem, dei-me conta de que, desde que cheguei por estas bandas, como estou no alto, posso enfim apreciar o sol abraçando as copas das árvores lá em baixo, como se fosse uma cachoeira rolando suas águas sobre o poço abaixo de si. A diferença está no silêncio, que deixa à minha imaginação a criação ou não, de um som específico.
Mas como imaginar, se os pássaros não se calam?
Será este o som que o sol, em comunhão com tudo o mais, utiliza para que o conjunto se torne perfeito e harmonioso?
Sei lá. O que realmente sei é que nunca um amanhecer é igual ao outro, faça sol ou faça chuva. Apesar disso, insisto em achar uma única cópia para então, igualá-lo a nós, a fim de que eu possa me sentir menos mísera criatura, parte de uma humanidade que teme a originalidade e prefere, na maioria das vezes, copiar a massa em geral, sem qualquer realidade maior além da absoluta falta de personalidade, embora grite aos quatro ventos possuí-la.
Qual nada.
Os gritos são apenas ecos do já gritado, sem real consistência e, consequentemente, sem consciência.
Que coisa, viu!!!
É… vou partir para outra atividade antes que a manhã termine, já que a inspiração, hoje, resolveu apenas me observar.
Regina Carvalho
22/01/2026 – Pedras Grandes, SC

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