terça-feira, 6 de janeiro de 2026

ASTROS INTERIORES

Não foi o amor recente

que me tornou mais clara.

Foi a memória 

esse sol tardio

que ainda aquece

as estações do corpo.

Há quem pense

que a alegria feminina

precisa de um braço

para se apoiar.

Enganam-se.

Ela precisa de céu.

Guardo na pele

danças sem plateia,

calçadas transformadas

em constelações,

passos simples

que rasgaram o tempo.

Fui levada às estrelas

sem promessas,

sem mapas,

apenas pela coragem

de quem soube olhar

para cima comigo.

E quem aprende o céu

não mendiga presença.

Escolhe.

Hoje, caminho leve

porque já fui inteira

noutra latitude da vida.

E o que vivi

não envelhece 

transfigura.

Se espero,

não é por companhia,

mas por altitude.

Alguém que compreenda

que amar

não é preencher vazios,

mas reconhecer luzes.

Tenho a idade

das memórias que me sustentam,

e a serenidade

de quem sabe

que algumas estrelas

não voltam

mas também não se apagam.

E isso

é mais do que suficiente.

Regina Carvalho - 6.1.2026 Pedras Grandes SC



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