Pois é, não se enganem com os meus cabelos brancos, afinal, nem dormindo dou folga pra Deus, já que acordo acelerada, ora cobrando, ora questionando se bem que, em ambos os casos, começo e termino em profunda gratidão esses meus colóquios matinais com ele, numa expressiva manipulação, a fim de garantir antecipadamente mais um perdão pela ousadia de tê-lo como um amigo íntimo com o qual, preciso ser sempre absolutamente transparente, até por que, ele sabe de tudo que passa pela minha cabeça.
Portanto, tentar enganá-lo com chorumelas e hipócritas demonstrações de falso respeito, só lhe traria mais uma decepção dentre tantas outras que lhe enviam pelo mundo afora, esteja o correspondente atendendo a qualquer diferente religião ou crença.
Aquela velha história de sempre. "Faça o que eu digo e não o que eu faço”.
Então, vou logo direto ao assunto sem rodeios, assim como neste amanhecer em que propus na maior cara de pau que me devolvesse as energias físicas, quando então, já com mais de sessenta anos, decidi para surpresa de todos a minha volta, mudar-me de cidade para cursar filosofia e sozinha, deixando pra traz uma vida de renúncias pessoais em prol de cumprir com firmeza e amor parte de seus ensinamentos que era terminar minhas tarefas assumidas diante de um de seus altares.
Filhos criados, pais e sogros enterrados e marido barbado, portanto, nada mais eu devia deste acordo meio injusto, já que com 18 anos é até covardia esse tipo de compromisso até que a morte nos separe.
E não foi que consegui e a partir desta digamos iniciativa meio esdrúxula, fui percebendo que minhas asas imaginativas foram se incorporando em mim, transformando meus vôos dali em diante, oferecendo-me uma sensação empírica de liberdade jamais sentida e o que era ainda melhor, confirmando-me a certeza absoluta de não estar sozinha em lugar algum.
Também fui sentindo o quanto esse Deus há muito se dedicava a mim em cuidados especiais, principalmente no exercício de uma incansável paciência em relação as minhas atrapalhações, cobranças e exigências, bem típicas de uma eterna filhinha mimada de papai.
Pois é, o tempo passou e os velhos hábitos continuaram, se bem que devido à cronologia avançada sem tantos arrojos, mas ainda assim, repletos de desejos como, por exemplo, os de hoje.
Tadinho deste meu Deus em sua inexorável compreensão que além de me aturar continuamente, ainda me dá inspiração para que eu escreva meus textos, permitindo-me fazer deles, orações de gratidão, principalmente pela visão de mundo que vai muito além de mim.
Se sou abusada com Deus, não medindo palavras e intenções, numa sinceridade que chega aos limites do considerado “adequado” desta sociedade humana falida em valores e princípios morais e éticos, imagine o que serei capaz com quem na convivência acredito ser a sua imagem e semelhança.
Respeito é o caminho único entre você e eu, ele só existe onde não há a maldita hipocrisia.
Dedico este texto ao amigo Sérgio Parmera que ontem completou sessenta e cinco anos e que como eu, estava se sentindo muito feliz e repleto de planos. Te amo meu amigo querido que fielmente está comigo virtualmente há quase dez anos. Juntos permanecemos trocando idéias, ideais, confessamos pecados e culpas e nos libertando do estigma de que entre homem e mulher o sexo sempre estará presente.
Beijos na grandeza de seu coração, sempre tão atrapalhado como o meu.
Regina Carvalho- 31.5.2026- Pedras Grandes SC

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