segunda-feira, 1 de junho de 2026

JUNHO-ENTRE O SAGRADO E O PROFANO

Acordei pensando que, mais uma vez, estou tendo a oportunidade de programar minha forma de caminhar nesta vida. Ela, que é encantadora por si só, já deveria ser o bastante para que eu e você, que me lê, a conduzíssemos de forma leve e harmoniosa. Todavia, como somos de uma absurda cegueira existencial, simplesmente justificamos a nossa inoperância com as circunstâncias, como se estas fossem sentenças definitivas e nada pudéssemos fazer a respeito.


Isso não é real, pois há sempre, no mínimo, duas escolhas à disposição. Uma delas é sempre a que possui luz própria como o sol. Todavia, nos deixamos seduzir por sua sombra a refletir-se nas luas de nossas vontades e desejos. Atendendo ao hábito dos costumes que envolvem a inércia, simplesmente nos deixamos levar pelas circunstâncias.

Seguindo este raciocínio, busco apoio divino como reforço para que, ao fraquejar, o que é previsto nas empreitadas desconhecidas, lá esteja o Senhor Maior do Universo, sempre à disposição para oferecer-me seu bendito apoio.

Portanto, o mês de junho começou. Apesar de saber de cor e salteado o seu calendário festivo, desconheço totalmente os efeitos das festas em minha vida, assim como os meandros dos dias que as intercalarão. Resta-me apenas confiar de que tudo dará certo ou simplesmente suportarei.

Penso no sagrado e no profano que as acompanham, chamando-as de cultura. Mas aí, como sou uma chata de galocha, questiono onde fica a fé. Será que esta se resume nas também pontuais programações religiosas, já que é sempre seguro acender uma vela para Deus e outra para o Diabo, que, reconheçamos, ultimamente anda bastante presente com atuações inimagináveis?

Penso, então, que o seguro morreu de velho. Baseada neste provérbio popular, há muito utilizo algumas orações como reserva de caixa, que lá estão sempre à disposição para acudir-me nos momentos de fragilidade. 

Eu, como realista juramentada, apesar de parecer viver no mundo da lua com os pássaros e borboletas, as utilizo como impulsionadoras da coragem que, como criança birrenta, teima em querer fugir.

Pensando assim, transformei a oração de São Francisco de Assis, cuja lógica e simplicidade me fascinaram, em cartilha cotidiana de aperfeiçoamento pessoal. Mesmo depois de quase uma vida inteira utilizando-me de suas ricas mensagens, ainda me surpreendo com a sua eficiência. Creio que, de tanto repeti-la, ela já se incorporou de tal forma que me é impossível não segui-la. Afinal, ela me oferece um Deus vivo e atuante através de minhas atitudes físicas e mentais, na medida em que mais dela me aproprio.

Descobri, e faz tempo, que orar, rezar ou conversar com Deus é mais que repetir, é incorporar. É permitir que o cérebro absorva e distribua por toda a minha matéria os reflexos divinos que saúdam o privilégio de estar viva, crendo que tudo que eu possa ou não ver e sentir se resume Nele.

Rogo que, neste junho que começa, você e eu possamos nos sentir plenos de amor para dar e receber respeito uns dos outros, neste mar de incertezas da nossa própria existência.

Regina Carvalho. Pedras Grandes, SC.

Ilustração-IA

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