segunda-feira, 4 de maio de 2026

RETROSPECTIVA

A humanidade, em sua totalidade, costuma fazê-la ao final de cada ano. Eu, como uma esquisita juramentada, faço-a sempre que posso. Afinal, não sei quando partirei e, sinceramente, não pretendo chegar ao meu destino final com pendências.

Como toda cristã que se preza, faço do universo o meu paraíso celestial. Jamais gostaria de embaçar o brilho de qualquer estrela com meus infortúnios ou dúvidas. Por isso, transformo minhas conversas com Deus em um confessionário, onde a reza principal é a minha mais profunda sinceridade. Chego a questioná-lo, já que, antes de ser meu Deus, Ele é o meu amigo mais significativo. E de um amigo nada se deve esconder.


Neste amanhecer onde o frio faz curva e retorna para me congelar, socorro-me com um aquecedor elétrico. Preciso dele para que os dedos não endureçam e eu possa digitar lembranças que, de alguma forma, estimulem as suas. 

Que elas aliviem sua carga ou provoquem um agradecimento por ainda existir neste mundo confuso.

Lembro-me de quando fui capaz de controlar a euforia dos meus hormônios. Em muitas ocasiões, os "safadinhos" queriam falar mais alto que o bom senso. Não por puritanismo, mas por coerência e ética pessoal. 

Para mim, meu corpo era um templo que precisava ser preservado das loucuras de minhas emoções agitadas e impulsivas.

Não foi fácil manter o controle, especialmente sob o peso do abandono e das frustrações. Eram argumentos aparentemente consistentes que me empurravam para desvios sedutores. 

Hoje, com as emoções mais acomodadas (ou talvez mais sensatas), percebo que minha resistência me trouxe serenidade. Sempre  reconheci que a liberdade sem limites podia ser perigosa. Ela empurra o medo da solidão para cavernas escuras de descontrole, onde tudo atrai com o brilho falso da alegria, mas se afasta deixando apenas o vazio existencial.

"Santinha" jamais foi a minha realidade. Sou uma mulher absolutamente sensitiva e me deleitei em desejos ardentes. Cheiros, toques e sabores sempre foram os elos fortes dos meus sorrisos. No entanto, recusei-me a vivê-los como um remédio para instantes enganosos de dor. Isso não.

Permiti que meu corpo fosse meu templo e minha mente, um claustro de repouso para o Deus que habita em mim. Enquanto isso, minhas emoções brincaram incansavelmente no adro do mosteiro que, ao longo do tempo, construí para mim mesma.

Desejo e peço ao meu Deus, uma semana bendita para mim e pra você que generosamente acompanha os meus escritos.

Regina Carvalho- 4.5.2026 Pedras Grandes SC

Ilustração- IA

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