domingo, 17 de maio de 2026

O INFINITO QUE NÃO CABE EM MIM

Quando escrevo, não penso que terei outro ganho além de deixar fluir conhecimentos, ideias e visões em geral, nas quais se incluem alegrias, realizações pessoais e, naturalmente, as decepções. Para mim, que já vivi tantas décadas e escolhi ser apenas um ser humano, o mais humano possível

A internet chegou justo para que eu pudesse compartilhar um pouco desta humanidade que se expande de mim. Como tudo o que fiz até então, também na rede deixo-me enxergar por inteiro, sem medo de ser feliz. Afinal, escrever é o mesmo que respirar. 


Sorvo naturalmente tudo quanto meus sentidos são capazes de captar e os devolvo para permanecer atualizada com minhas emoções. Minha pretensão única é continuar existindo e amando, sem abrir mão da fidelidade, que é uma questão de caráter e não se modula a qualquer conveniência.

Lendo as escrituras do Novo Testamento com a mente isenta de dogmas, aprendi que estas isenções teriam que se estender para tudo o mais que me agradasse ou não. Só assim estruturaria minhas ações e reações, o que em momento algum descredenciaria o foco do senso da minha fidelidade.

Essa necessidade de registrar o meu cotidiano através da escrita possivelmente tenha desabrochado pelo fato de eu ser a rapa do tacho. Por isso, fui solitária na infância e na adolescência, sem um convívio constante com irmãos e primos, já que todos já eram adultos. 

Então, passei a escrever. Minha percepção em relação a tudo era infinita e definitivamente não cabia em mim. Todavia, perceber não significa compreender. Descobri aos poucos, e de forma absolutamente consciente, que ao ler as minhas impressões sobre isto ou aquilo, abria-se em minha mente uma espécie de luz esclarecedora que explicava inclusive as minhas ações e reações, dando-me a bendita oportunidade de corrigi-las.

Descobri que tudo só dependia de mim e das minhas escolhas, e que, em relação aos outros, minha limitação também era infinita. Então, como fazer para conviver?

Usei e ainda uso a escrita como parceira na busca dos entendimentos. Este processo é rápido na identificação, mas geralmente lento na compreensão e na aceitação da realidade. É uma realidade na qual não me cabe fazer qualquer mudança, deixando esta restrita a mim mesma. 

Complicado, mas também salutar. Nesse processo, fui desenvolvendo, sem perceber, a paciência, a perseverança e a fidelidade ao meu bem-estar, conhecendo os meus limites em tudo e, por conseguinte, os limites do outro.

Neste caminho cognitivo, cometi falhas estupendas com excessos desnecessários. Pela minha disciplina de ir mais fundo nas diversas questões que se apresentaram, certamente constrangi e incomodei alguém. Sempre lamentei isso, apesar de considerá-las aprendizado, afinal, jamais me satisfiz com o raso, principalmente quando havia uma clara manipulação emocional disfarçada de afeto como regra de convívio.

Lembro-me de cada instante de absoluta paz quando o entendimento de mim mesma se apossou de cada situação. Isso fez valer cada um dos meus investimentos emocionais e mentais nesta busca nem sempre isenta de profunda dor.

Deduzo, neste estágio em que me encontro, que nada fiz até o presente momento a não ser descortinar a criatura amorosa, curiosa, inquieta e livre que sempre caracterizou minhas posturas. Erradiquei toda e qualquer terceirização da minha alegria, dor ou tristeza, jamais culpando os demais por me manipularem, usarem-me e etc., e tal. Descobri-me sempre como responsável por todas estas impactantes sensações. Isso me afasta da irresponsabilidade de não responder pelos meus atos, já que, junto com o entendimento, caminha o senso de justiça de saber que a cada ação advém uma reação. Em Mateus 7:3-5, Jesus questiona por que reparamos no cisco no olho do nosso irmão, mas não enxergamos a trave no nosso próprio olho. A passagem nos ensina sobre a autorreflexão e a humildade.

Regina Carvalho – 17 de maio de 2026 – Pedras Grandes, SC.

Ilustração IA

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