quinta-feira, 21 de maio de 2026

O PROJETO DE PODER DE 500 ANOS QUE O BRASIL NÃO CORRIGIU

Acordei com um questionamento sobre a escravidão visível, palpável e cada vez mais crescente em nossa população. Uma elite antiga abriu espaço para um grupo de emergentes que se sente "emocionalmente elite" e, juntos, eles ampliam o plantel da miséria. Esse cenário apresenta regiões quase totalmente dominadas, como o Norte e o Nordeste, infiltrando-se em velocidade assustadora para as demais regiões, onde é nítida a presença da dominação mental e, consequentemente, física, através da pobreza, da ignorância e da violência.

Afinal, essa engrenagem se prolonga por mais de 500 anos, onde os esclarecidos e as elites continuaram copiando os velhos colonizadores, agindo com absurda indiferença e, como sempre foi possível constatar, aliando-se aos exploradores da miséria humana.

 

Em busca de um entendimento, encontrei quatro pensadores. Étienne de La Boétie (Século XVI) relata a causa dizendo: " que a diáspora africana no Brasil foi o maior exemplo disso. Arrancaram os povos de suas terras e apagaram seu passado. As gerações seguintes nasceram na servidão e o hábito fez a opressão parecer normal. 

O sistema só durou séculos porque a elite dita esclarecida escolheu a cumplicidade. Eles preferiram o conforto dos seus privilégios à justiça, copiando o modelo do explorador. Em seguida, voei para o século XX e encontrei a psicologia através de Sigmund Freud: "Há uma aliança disfarçada. Quem detém o conhecimento e o poder financeiro no Brasil aprendeu que manter o povo em um estado de desamparo e dependência emocional é altamente lucrativo. Eles fingem ajudar, mas usam o assistencialismo e falsas promessas para se blindarem e continuarem no topo, agindo como falsos salvadores. "Então pensei: se há uma causa, haverá sempre um efeito. Fui tentar entender o porquê de estarmos no século XXI ainda presos nesta armadilha, vendo crescer a desonra como modelo ideal. Nesta busca de um entendimento racional, encontrei uma explicação para a continuidade da miséria e para a cegueira da realidade na figura de Frantz Fanon, também no século XX, afirmando que: "O efeito é a sobrevivência da escravidão mental. A abolição libertou o corpo no papel, mas jogou a população preta na periferia, sem terra, sem educação e sem direitos. Quando o sistema força alguém a lutar apenas para não morrer de fome, rouba-se dessa pessoa o tempo para pensar. O oprimido passa a culpar a si mesmo pela miséria, sem ver que a estrutura joga contra ele." Simples assim? Fui então buscar outra visão e encontrei Hannah Arendt (Século XX), que segue na mesma linha de entendimento de Fanon, reforçando que: "A consequência política dessa indiferença das elites é uma sociedade anestesiada. Ao não corrigirem os erros do passado, os governantes perpetuam uma massa de manobra que, sem acesso à história real, continua votando e aplaudindo os mesmos discursos que destroem sua dignidade. A miséria humana virou uma moeda de troca política. "Então, o que fazer para escapar desta armadilha que transforma um dos países mais belos e ricos do planeta num plantel da miséria, pobreza e violência? Qual seria a saída para mim e para você que estamos sujeitos a esta opressão continuada? Haverá um antídoto?

Partindo da premissa de que o Brasil não foi descoberto, e sim colonizado, a engrenagem da exploração nunca foi quebrada, apenas disfarçada. A cegueira da realidade só acaba quando pararmos de aceitar as cópias do passado, resgatando as memórias através de uma educação crítica que liberte e de coragem para cobrar de quem finge nos defender. Todavia, como a própria educação também foi enquadrada na mesma engrenagem da alienação diplomada, resta-me, como pessoa minimamente esclarecida, usar todos os meios midiáticos para reverberar que eu e você que me lê não somos prisioneiros, nem bobos sociais da história.Existimos na lógica pessoal de nossa própria dignidade, buscando valores e nobreza para nós e para o bem comum. Precisamos resistir, não permitindo que o ouro falso oferecido pela mesmice histórica faça sentido em nós. Se não podemos eliminar de vez o poderoso algoz, que o substituamos ao longo do tempo pelo menos cruel, sucessivamente, crendo que uma real democracia se estabeleça, trazendo fartura, real meritocracia e liberdade ao povo brasileiro.

Copiar a lição aprendida ao longo desses mais de quinhentos anos, invertendo-a a favor da maioria, certamente dará frutos mais saudáveis. Como dizia Fanon: "Não sou prisioneiro da História. Não devo procurar nela o sentido da minha vida. Devo criar-me a mim mesmo."

Regina Carvalho – 21.5.2026 Pedras Grandes, SC.

O que verdadeiramente mudou?

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