domingo, 22 de fevereiro de 2026


 

PÁTRIA SEM HONRA

Infelizmente, a história conta os fatos, mas não os mastiga com lógica e isenção suficientes para oferecer uma conclusão nítida que as pessoas, especialmente os jovens nas escolas e universidades, possam assimilar e, então, buscar o caminho mais sensato e justo a ser tomado em uma escolha eleitoral.

Na minha modesta opinião, o Brasil, assim como qualquer outra nação que se intitula democrática, precisa não de pais ou mães nacionais, mas de homens e mulheres que honrem seus postos de liderança, corrigindo toda e qualquer distorção que possa prejudicar a plenitude dos direitos de cada cidadão.



 

DESCOBERTAS...

Era uma vez uma garotinha, ainda muito novinha, que descobriu, à beira de um riacho, enquanto as piabinhas lhe mordiscavam as pernas e os pés, que existiam prazeres invisíveis, impalpáveis, silenciosos, capazes de conduzi-la a um estado de plenitude profunda.

Um estado que se assemelhava ao gosto doce das mangas maduras, ao sal morno do sabugo recém-rapado da espiga de milho, e que, naquele instante, fez desaparecer o frio cortante da água que lhe envolvia os pés.

Ali, sem saber, iniciava-se.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026


 

MINHAS RESPOSTAS...

Acordei lembrando de um episódio em que fui uma desastrosa coadjuvante e que, de tão real, tornou-se mais uma bandeira de liberdade em minha vida. Ao reconhecer a inadequação de minha atitude, passei o restante da minha existência burilando minhas reações, a fim de não mais me colocar em extremos, preferindo direcionar minhas emoções a um lugar mais confortável, pelo menos para mim.

Não sou de ferro e, vez por outra, ao longo da caminhada, se não joguei um litro de shampoo em alguém, como ocorreu em 1968, aos 18 anos, quando fui tão ofendida que perdi as estribeiras com uma tia de meu marido, pelo menos, dali em diante, como carioca raiz, reconhecendo que não devia arremessar nada, enviava um “vai à M” ou “PQP” que, para alguns, era mais forte que um soco.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026


 

Família - Tesouro que Respira

Dormi pouco…

mas acordei inteira.

Sentei-me diante da vida

Disfarçada de notebook para fazer o que sempre soube: amar escrevendo, escrever amando.

Depois de beijar muito, claro. Trem bom da conta é essa vida que ainda me abraça.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

MINHA ITAPARICA...

As pessoas leem as minhas declarações de amor a esta terra bendita, mas, com certeza, raras são aquelas que conseguem ir além do meu testemunho de carinho por ela.

Mas eu sei, como ninguém, como cheguei a ela e como fui recebida…

Imagine-se em meio a uma tempestade e, de repente, atravessar um portal imaginário e ver-se diante de um paraíso. De imediato, receber uma lufada de energia que penetra no seu corpo e o faz estremecer, levando à mente a certeza absoluta de ter chegado finalmente ao Éden que irá abrigá-lo.



 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

EU TE AMO...

A importância de um “eu te amo” sem qualquer outra pretensão que não seja, tão somente, que o outro se sinta especial é simplesmente um presente do universo, que poucos sabem oferecer, assim como, também poucos estão abastecidos da devida  humildade para receber e sentir-se grato.

Durante minha vida, escrevi muito a respeito, esperando ter conseguido semear esta sementinha bendita, fazendo com que cada uma, tenha brotado no coração daquele que leu.



 

INVEJA OU ADMIRAÇÃO?

Pensei ter passado a vida inteira acreditando que invejava os carnavalescos. Mas, nesta manhã — talvez inspirada pela paisagem fantástica que enche meus olhos de ternura e amor — algo aconteceu. De onde veio, não sei. Porém, a compreensão chegou a mim e, confessando a você que me lê, tirou-me um enorme peso.

Entendi, na prática, que cada qual tem suas próprias características comportamentais e que, definitivamente, o Carnaval, como tantas outras atrações, jamais fez parte das minhas tentações.


domingo, 15 de fevereiro de 2026


 

VIDAS AJAMBRADAS X ÉTICA

Para quem nunca ouviu a palavra, “ajambrado” refere-se a algo ou alguém bem-arrumado, organizado, alinhado. É assim que, na maioria das vezes, somos educados em família: para nos apresentarmos devidamente no mundo.

Mas esse “ajambrar” nem sempre inclui a forma como conduzimos nossas ações e reações. E é exatamente aí que o problema começa.



 

MILAGRE

Acordei neste sábado de fevereiro sentindo-me a tal. E por que não? Se o bom dia da vida sempre foi especial, independentemente de qualquer outro fator inerente ao meu cotidiano, nem sempre colorido e perfumado.

Eis a bendita formação estoica que recebi na infância e que, ainda hoje, pauta a minha autoestima, conduzindo-me ao reconhecimento do milagre que represento.

Ensinaram-me, na prática, os princípios básicos de sua aplicação, que nem sempre foi fácil absorvê-la e muito menos mantê-la ativa em minhas posturas. Afinal, a força do sistema tem as garras de um tigre e a astúcia de um coelho, iludindo e confundindo, mostrando caminhos nem sempre adequados.



 

“Elegância, Onde Estás?”

Procuro-te nas esquinas do tempo,

entre vozes apressadas e gestos vazios.

Procuro-te nos rostos outrora serenos,

nas mãos firmes que guiavam destinos.

Onde foste morar, elegância antiga?

Em que silêncio te escondeste?

Já não te vejo nos palanques,

nem nos púlpitos,

nem nas salas onde se ensinava a viver.

Dizem que o mundo corre 

mas corre para onde,

se deixou para trás o respeito

e esqueceu o peso do exemplo?

Tu não vestias seda,

nem dependias de ouro.

Eras postura,

eras palavra medida,

eras silêncio sábio

e presença inteira.

Filha do respeito,

irmã da tolerância,

prima da conciliação 

por que te exilaram?

Ainda me lembro de ti.

Não faz tanto tempo assim.

E era tão bonito

quando moravas

no jeito simples

de ser humano.

Regina Carvalho- 15.02.2026 Pedras Grandes SC



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026


 

O BRILHO HUMANO

Estou aqui desde cedinho, antes mesmo de o dia clarear e eu poder enxergar a neblina tomando lentamente a paisagem, pensando sobre o que escrever. Afinal, tenho dois temas na minha cabeça, sem conseguir escolher apenas um para desenvolver.

Depois de receber duas lindas mensagens de pessoas absolutamente diferentes em tudo, pelo WhatsApp, compreendi que os dois temas se misturam e se completam, apesar de serem antagonistas. Afinal, como diz a retórica popular: a vida e o ser humano são assim.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026


 

ROTINA PARTIDA

Sabe aquele dia em que, logo ao amanhecer, quase tudo se desconecta da habitual rotina? Pois é… hoje foi e continua a ser exatamente assim. Cruz credo! Fico igual a peru bêbado em véspera de Natal.

Como adoro uma analogia, lembro-me imediatamente de um dedo cortado, de um tornozelo luxado e de inúmeras outras partes fundamentais do meu corpo que só se tornaram prioridade quando, por algum motivo, foram lesionadas, passando, de repente, a ser o centro absoluto da minha atenção. Afinal, como fazer isto ou aquilo sem a sua ativa participação?


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026


 

Aleluia…

O dia acorda sem urgência. Espreguiça-se em tons pálidos, enquanto a luz aprende, pouco a pouco, a existir. São seis e dez. Segunda-feira. Fevereiro. E o Brasil dança, mesmo que eu observe de longe.

O Carnaval explode em cores, tambores e corpos livres. Eu fico aqui, à margem, confessando que apenas os desfiles me atravessam. Mangueira, amor antigo. Mocidade, simpatia permitida. Só a ela concedo o direito raro de vencer a minha verde e rosa.

Quando passam pela avenida, penso que também poderia estar ali: suando verdades, dançando excessos, gritando aleluias ao mundo como quem agradece por estar viva.


domingo, 8 de fevereiro de 2026


 

COM A CARA E A CORAGEM

...trazendo como bagagem ideias e ideais, mergulhei de cabeça na vida sem nada mais dela esperar, além de um espaço onde eu simplesmente pudesse ser o que sentia ser: apenas um ser humano querendo viver.

Mas o que seria viver?

Por que eu sentia que viver não poderia ser apenas o que, até então, haviam-me apresentado?

Ainda garota, arregacei as mangas, descalcei os sapatos, respirei fundo e me deixei mordiscar pelas piabinhas do riacho, banhar pelas águas fortes e gélidas da cascata. E, ali, definitivamente compreendi a importância dos arrepios que ambos me provocavam.


sábado, 7 de fevereiro de 2026


 

ADEUS

Perdi o texto

como quem perde um instante,

fugiu de mim

e dissolveu-se

no espaço invisível do virtual.

Não foi o primeiro,

não será o último.

Antes, chorei a distração,

revoltei-me contra mim,

mas aprendi, tarde, talvez 

que perseguir o perdido

é desperdiçar o agora.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026


 

EMOÇÃO - Como se fosse a única

Abro a janela. A mata dorme sob a neblina, mas em mim ela é verde vivo, cravada nas retinas da memória.

Sorrio. Ainda estou aqui. E, mais raro que isso: não desaprendi de sentir.

Lapidei-me com o tempo, não para endurecer, mas para não cegar. Nunca deixei de olhar com o corpo inteiro.

Houve dias em que a dor entrou como punhal sem fio, rasgando por dentro sem piedade. E houve outros em que dancei com estrelas distraídas, sem gravidade.

Entre a terra seca e o céu sem correntes, vivi. Meu Deus, como vivi.

Agora estou imóvel. A manhã é branca, a paisagem se esconde. Mas as emoções, ah, essas continuam nítidas.

Ontem, trocas de olhares inesperados, com um adorável sinhozinho, uma paquera leve, um tempo que esqueceu de passar. Sorri por dentro.

Marco Aurélio diz: “Como se fosse o último ato”. Eu respondo: como se fosse o único.

Porque se a vida cessasse naquele exato instante, partiria leve, com a alma aquecida por uma deliciosa, última emoção.

Simples assim...

Regina Carvalho- 6.2.2026 Pedras Grandes  SC



 APENAS VIVENDO...

Pra onde eu vá morar, lá está ela, uma amoreira sempre linda e exuberante, exibindo seus frutos negros, doces e apaixonantes.

Ontem depois de paquerar e ser paquerada por um encantador sinhozinho, fui no parque de exposição com a Anna, buscar mudas de flores para colocarmos em nossas casas e de repente, sabedora da minha paixão por este delicioso fruto, lá vem a minha gravítica, trazendo a palma da mão recheada destas delícias.

Comi devagarinho, uma a uma, indo ao céu sem comprar bilhete...

Viver é isso...Estar permanentemente atenta aos movimentos da vida para não perder o transporte para o céu, afinal, ele passa vez por outra, e não espera os distraídos.

Regina Carvalho- 6.2.2026 Pedras Grandes SC


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026


 

SERTÕES E DESERTOS

Depois de ler pela milésima vez as citações contidas em Meditações, de Marco Aurélio, e por causa dele ter-me apaixonado pela filosofia estoica, naveguei em busca de mais conhecimentos em outros maravilhosos pensadores, como Sêneca, Epicteto e Zenão de Cítio, seu fundador. Este último propunha uma filosofia baseada na virtude, na razão e na aceitação do destino como caminho para alcançar a paz interior, tendo como foco aquilo que está sob o nosso controle, que são: pensamentos e ações  e a aceitação serena daquilo que não está.

Claro que esta é uma definição simplista; todavia, foi através desse conhecimento antigo que fui trazendo reflexões para o aqui e agora da minha existência. Como foi dando certo, insisti nas adaptações em mim mesma e aqui estou: inteira, ainda entusiasmada, aplicando fervorosamente as suas orientações.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026


 

QUE PENA…

Ontem à noite, enquanto aguardava na fila das prioridades a minha vez de ser atendida, observei que havia mais duas filas para gente “normal”. Sim, isso mesmo, porque no Brasil gente velha deveria desaparecer tão logo surgissem os escandalosos sinais dos cabelos brancos e, então, seriam considerados inúteis e descartáveis, pois só atrapalham.

Ficam à mercê, principalmente dos negacionistas aqueles que pintam o cabelo, esquecendo que o restante está despencando, colocam-se nas filas dos ainda jovens e não se conformam com essa tal lei que prioriza idosos, gestantes etc. e tal.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026


 

O QUE NOS IMPEDE?

Neste amanhecer, a neblina resolveu mover-se em minha direção, cobrindo a minha cabana e impedindo-me de enxergar o lá à frente, deixando-me apenas ouvir e adivinhar os ruídos da estrada.

Tratar-se de motos, carros ou caminhões?

Sinto tratar-se de um inusitado passatempo, tendo como fundo musical um festival variado de sons que vão dos retardatários grilos aos incríveis pássaros, que fazem do espaço que me cerca um enorme palco, onde sinfonias se intercalam, simplesmente encantando-me.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026


 

QUE COISA, VIU!!!

Olho-me no espelho enquanto escovo os dentes e penso no quanto, de uns dias para cá, me sinto macambúzia. Alguém sabe o que significa?

Vou explicar. (kkk)

O termo refere-se a alguém desanimado, cabisbaixo, muitas vezes inclinado ao silêncio. É sinónimo de sorumbática, tristonha ou pesarosa.

Que coisa, viu!!!



 

HOJE É DOMINGO

...e, como acontece principalmente nos últimos anos, digo à minha mente que não escreverei, já que, como todo mortal, preciso de descanso. E aí, morrinho para sair da cama, tento, com afinco, criar uma outra rotina para os meus hábitos. Chego até a mudar a ordem do café, invertendo as prioridades e optando primeiro pelo iogurte.

Rapaz, que dificuldade…

Em dado momento, após ler e responder às muitas mensagens, algumas tão comoventes que me fazem deixar rolar lágrimas de alegria e gratidão, convenço-me de que não depende da minha vontade escrever ou não.


sábado, 31 de janeiro de 2026


 

ENFADO…

Clair de Lune, de Claude Debussy, sempre foi parceiro dos meus escritos, pois gosto de ouvi-lo enquanto deixo fluir a mente. Mas, neste amanhecer, mudei o ritual e optei por primeiro temperar uma carne para depois sentar-me diante deste espetáculo da natureza e, então, começar a escrever. Só que, desta vez, com um dedo furado  já que a faca, amolada e pontiaguda, não perdoou o fato de minha cabeça estar em outro lugar.

Aonde?

Sei lá…


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026


 

DE BOM TOM…

“Enquanto o mundo se maquiava de virtudes, eu aprendi a reconhecer o cheiro da hipocrisia.”

Pra quê? Por quê?

Sinceramente, não sei. Tudo o que verdadeiramente sei é que isso me frustrou ao longo da vida e, além disso, vez por outra como agora, tira-me da cama ainda pela madrugada, com a mente pulsando como um coração tomado por arritmia.

Nada legal para quem sente essa aceleração que, tratando-se da mente, causa tantos danos quanto uma taquicardia coronária. Será assim que se denomina?


quinta-feira, 29 de janeiro de 2026


 

Nada é perfeito, mas quase tudo é apaixonante.

Neste amanhecer, enquanto saboreio meu pingado de café com leite, meus olhos repousam sobre uma paisagem exuberante nunca igual, sempre mutável. Ela se veste de nuances e temperamentos, adaptando-se às circunstâncias como nós.

Às vezes, chove fino, feito dores silenciosas que não gritam, mas ferem. Outras vezes, o céu faz escarcéu de águas e trovões: intenso, breve e quase sempre deixando marcas.

As alternâncias ferem menos que as estagnações. Talvez viver seja exatamente isso: moldar-se sem perder a própria forma. Porque adaptar-se não é desaparecer, é permitir-se existir em novas versões, compondo o bendito quadro da convivência.

Regina Carvalho – 29.01.2026 | Pedras Grandes 

“Viver é moldar-se sem abrir mão da própria essência.”



quarta-feira, 28 de janeiro de 2026


 

DEIXE-ME COM O MEU JESUS

Neste amanhecer, curti até agorinha uma experiência incrível. Afinal, ao abrir a janela do quarto, nada me foi possível enxergar, já que a neblina havia encoberto a minha cabana, induzindo-me a recuar um tiquinho, sentindo uma espécie de medo, tolo e bem próprio da minha natureza que mais parece um misto inusitado de temor e prazer, quando o belo inesperado se expõe diante de mim.

Apoiei os cotovelos no peitoril da janela e deixei-me acompanhar os movimentos desta neblina que, mais do que uma ação da natureza, transformou-se em mais um gatilho, disparando a minha mente ao encontro do meu adorável Jesus.