sábado, 31 de janeiro de 2026
ENFADO…
Clair de Lune, de Claude Debussy, sempre foi parceiro dos meus escritos, pois gosto de ouvi-lo enquanto deixo fluir a mente. Mas, neste amanhecer, mudei o ritual e optei por primeiro temperar uma carne para depois sentar-me diante deste espetáculo da natureza e, então, começar a escrever. Só que, desta vez, com um dedo furado já que a faca, amolada e pontiaguda, não perdoou o fato de minha cabeça estar em outro lugar.
Aonde?
Sei lá…
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
DE BOM TOM…
“Enquanto o mundo se maquiava de virtudes, eu aprendi a reconhecer o cheiro da hipocrisia.”
Pra quê? Por quê?
Sinceramente, não sei. Tudo o que verdadeiramente sei é que isso me frustrou ao longo da vida e, além disso, vez por outra como agora, tira-me da cama ainda pela madrugada, com a mente pulsando como um coração tomado por arritmia.
Nada legal para quem sente essa aceleração que, tratando-se da mente, causa tantos danos quanto uma taquicardia coronária. Será assim que se denomina?
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Nada é perfeito, mas quase tudo é apaixonante.
Neste amanhecer, enquanto saboreio meu pingado de café com leite, meus olhos repousam sobre uma paisagem exuberante nunca igual, sempre mutável. Ela se veste de nuances e temperamentos, adaptando-se às circunstâncias como nós.
Às vezes, chove fino, feito dores silenciosas que não gritam, mas ferem. Outras vezes, o céu faz escarcéu de águas e trovões: intenso, breve e quase sempre deixando marcas.
As alternâncias ferem menos que as estagnações. Talvez viver seja exatamente isso: moldar-se sem perder a própria forma. Porque adaptar-se não é desaparecer, é permitir-se existir em novas versões, compondo o bendito quadro da convivência.
Regina Carvalho – 29.01.2026 | Pedras Grandes
“Viver é moldar-se sem abrir mão da própria essência.”
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
DEIXE-ME COM O MEU JESUS
Neste amanhecer, curti até agorinha uma experiência incrível. Afinal, ao abrir a janela do quarto, nada me foi possível enxergar, já que a neblina havia encoberto a minha cabana, induzindo-me a recuar um tiquinho, sentindo uma espécie de medo, tolo e bem próprio da minha natureza que mais parece um misto inusitado de temor e prazer, quando o belo inesperado se expõe diante de mim.
Apoiei os cotovelos no peitoril da janela e deixei-me acompanhar os movimentos desta neblina que, mais do que uma ação da natureza, transformou-se em mais um gatilho, disparando a minha mente ao encontro do meu adorável Jesus.
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
FASCINAÇÃO
Só há pouco saí da cama. Afinal, estava tão bom permanecer entre as cobertas, curtindo o leve friozinho, absolutamente normal, mesmo neste verão, por aqui, nas montanhas de Sangra de Areia.
O nome que deram a este local é esquisito e em nada condiz com as belezas que exibe. Mas, enfim, fazer o quê, se nada mais sou do que apenas uma penetra de fora, que por aqui veio acampar de mala e cuia, sem qualquer cerimónia?
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
LINDO DE SE VER…
Nem mesmo a derrota do meu amado Flamengo para o Fluminense foi capaz de empanar a minha alegria e emoção ao constatar a quão maravilhosa foi a caminhada da liberdade, que começou em Paracatu, Minas Gerais, com apenas um jovem deputado e culminou, de forma simbólica, com milhares de cidadãos na Praça do Cruzeiro, em Brasília, entoando o Hino Nacional.
Nesses momentos em que somos capazes de lutar pelo nosso direito inalienável de pensar diferente, dá um orgulho danado ser brasileira. Mesmo sendo considerados, por muitos mundo afora, um país de terceiro mundo com um povo fuleiro que só tem carnaval, bunda de mulher bonita e futebol para mostrar, fizemos bonito.
ME DEIXEM ESCREVER
Afinal, desde que me entendo por gente, absorvia e sentia tudo à minha volta de forma muito intensa. Essa intensidade traduzia-se em muitas energias circulantes, que faziam com que eu fosse, digamos, uma menininha esquisita, fora dos padrões comportamentais da época, já que observava e questionava mais do que as demais crianças.
Hoje, imaginem, quase uma vida inteira depois, consigo finalmente mensurar o que significou para os meus pais, especialmente para minha mãe, sempre presente, educar-me, estabelecendo regras e limites para uma criança que, mesmo com os pés no chão, vivia a voar. Pelo menos, foi assim que eles e os demais à minha volta me enxergavam.
sábado, 24 de janeiro de 2026
GENTE CHATA OU DOENTE?
Há tempos observo, com crescente inquietação, a confusão deliberada entre o sofrimento psíquico legítimo e a simples incapacidade de conviver. Nem todo comportamento abusivo é doença. Nem toda grosseria é transtorno. Em muitos casos, trata-se apenas da ausência de limites, convenientemente travestida de diagnóstico.
Vivemos uma época em que qualquer desconforto relacional é imediatamente convertido em patologia. Exige-se medicação, tolerância irrestrita e silêncio dos que convivem com o problema. Questionar virou falta de empatia. Impor limites, crueldade. E assim surge a pergunta incômoda: como sobreviveram as gerações anteriores?
Seriam emocionalmente mais fortes?
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
O QUE FAZER?
Cá estou eu, vivenciando uma manhã absolutamente linda, com os olhos enxergando apenas o belo. No entanto, nada tenho na cabeça que me estimule a escrever.
Logo bem cedinho, quando abri a janela do quarto e me deparei com a incrível paisagem, dei-me conta de que, desde que cheguei por estas bandas, como estou no alto, posso enfim apreciar o sol abraçando as copas das árvores lá em baixo, como se fosse uma cachoeira rolando suas águas sobre o poço abaixo de si. A diferença está no silêncio, que deixa à minha imaginação a criação ou não, de um som específico.
Mas como imaginar, se os pássaros não se calam?
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
O QUE SE APRENDE COM A VIDA?
Absolutamente tudo. No entanto, é preciso reconhecê-la tal como se apresenta e se expressa.
Não me refiro aos costumes culturais ou à condição económica e financeira, mas a um todo absolutamente presente no quotidiano e que nem sempre é devidamente observado, muito menos compreendido: a própria pessoa.
Sim, porque não há nada mais fundamental do que o auto reconhecimento para que se possa estar minimamente equilibrado na inserção de um contexto absurdamente complexo, confuso e altamente indutor dos sistemas sociais.
BOM DIA!!!
Sou uma pessoa abençoada e esta certeza se dá a cada amanhecer, quando, então, encontro-me com a vida em todo o seu esplendor, saudando-me seja com um radiante sol, como neste instante, ou com uma chuva bendita regando o jardim e a minha existência.
O milagre acontece de uma forma ou de outra e se estende ao longo de cada dia, tornando-me leve e tranquila para então, poder ouvir com nitidez os sons da vida que vão se chegando, um a um a despeito do meu querer.
Portanto, cabe-me tão somente, estar cheirosa, sorridente, sempre pronta para recebe-los, dando a cada um, a sua devida importância no contexto da música que ao acordar, continuo escrevendo pra mim, afinal, há muito decidi criar as cores de minha paleta, fazendo de minhas pinceladas cotidianas, um quadro amplo e colorido, inspirado nos acordes dos meus sentimentos mais autênticos.
Penso que ninguém vai viver a vida por mim, portanto, deixe-me caprichar na decoração dos meus instantes, transformando-os em liberdade plena de ser o que, simplesmente me faz feliz.
Regina Carvalho- 21.01.2026 Pedras Grandes SC
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
SEMELHANTES DIFERENÇAS
Pois é…
Fui dormir depois de assistir à novela Três Marias, única e exclusivamente para distrair a minha cabecinha exaurida de tanto escrever, onde fuço as memórias, livros e arquivos em busca de elementos corroborativos ao livro que me foi proposto escrever sobre uma das figuras mais impactantes do início do século XX do espiritualismo brasileiro: Hilda Roxo.
E aí, deparo-me com a figura icónica da personagem Arminda, a viúva gostosona, de caráter dúbio, aliás, bem brasileiro, exemplificando, de forma extremamente estereotipada, um grande número de mulheres e homens que acreditam estar acima do bem e do mal.
SALVE OXÓSSI
No dia 20 de janeiro, o santo São Sebastião é celebrado pela Igreja Católica. No Candomblé e na Umbanda, religiões de matriz afro-brasileiras, comemora-se o Dia de Oxóssi, orixá das matas, rei do Ketu (Nação de Candomblé) e guerreiro com fama de acertar seus alvos com uma flecha só.
No sincretismo religioso, usado como tática pelos povos escravizados para continuar a cultuar as divindades africanas sem represálias pelo cristianismo, o orixá é comparado aos santos católicos São Sebastião, na maior parte do Brasil, e São Jorge, na Bahia.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
SE PERMITINDO SER…
Shô…Shô é o que aprendi a fazer com os encostos, sejam eles de que natureza forem, sempre que se aproximam sorrateiros para contaminar o meu prazer de existir.
Daí a necessidade de estar permanentemente vigilante, tal qual aquele ensinamento bíblico pregado nas igrejas, mas raramente compreendido, até porque, mais raro ainda, é ser devidamente explicado.
ORAI E VIGIAI!
domingo, 18 de janeiro de 2026
PENSAR É ARTIGO DE LUXO
Pensar junto, então, é como acertar um bilhete de lotaria.
Talvez essa tenha sido a minha maior motivação para sustentar um casamento tão duradouro. Depois de encontrar alguém com aquele calibre mental, como simplesmente seguir adiante?
Vamos ser honestos: não há nada mais enfadonho do que uma relação em que, passado o ardor inicial, divide-se tudo, a casa, as contas, os compromissos, menos o pensamento. Quando a troca intelectual se ausenta, as emoções não desaparecem de imediato; elas se desgastam lentamente, quase em silêncio. E o silêncio prolongado é muito mais corrosivo do que qualquer conflito.
sábado, 17 de janeiro de 2026
UM FRAGMENTO – UMA HISTÓRIA
Acordei pensando que não há livro algum capaz de conter as mais ricas experiências empíricas como o livro da vida.
Nele, somos capazes de conhecer infinitas histórias que, no mínimo, nos servem de guia sobre o que devemos ou não fazer, assim como nos permitem conhecer as milhares de facetas do caráter humano que, à primeira vista, parecem iguais ou muito semelhantes, mas que, na realidade, são absolutamente distintas, pois carregam em si as especificidades da essência de cada ser humano.
Daí a sabedoria popular garantir que “ninguém conhece ninguém”, nem mesmo aqueles com quem convivemos muito de perto.
Por que isso acontece?
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
SAPINHO NO BANHEIRO
Sou de uma geração em que a menina era diferenciada quanto à educação doméstica, sempre tratada como se fosse um serzinho frágil e, portanto, impedida de agir desta ou daquela forma, por serem consideradas características próprias dos homens.
Esse era um cercado demasiado estreito para a Regininha que a mãe qualificava de teimosa, mas que, na realidade, era apenas persistente em tudo aquilo em que acreditava também lhe caber.
Todavia, a situação era complexa, ainda mais por ser a rapa do tacho de uma pequena estrutura familiar, onde todas as atenções estavam voltadas para aquela garotinha criativa, repleta de energia e de escolhas nem sempre compatíveis com o perfil esperado de uma menina oriunda de uma família de valores comportamentais tradicionais e atávicos, herdados da imigração portuguesa.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
SÓ UMA FEZINHA, VAI QUE DÊ CERTO...
SONHOS DIZEM MAIS QUE UM PALPITE PRA UM JOGUINHO NO BICHO, confesso que como carioca, criada entre o mar e a lagoa em Ipanema, a primeira intenção foi lamentar que por aqui, pelo menos que eu saiba, não existe um apontador do jogo em alguma esquina.
Pois é... Todavia, como pra mim, nada acontece por acaso, fui fuçar na numerologia o significado do número trinta, razão de meu sonho, do qual, só me lembro de estar recebendo de alguém esse valor.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
POR UNS TROCADOS A MAIS…
Abri a janela do quarto e a neblina cobria toda a rica vegetação, trazendo até mim um friozinho gostoso, como se já fosse outono, quando a temperatura se torna mais amena.
Qual nada. As folhas e galhos secos caídos eram apenas resultado da ventania de ontem à tarde, aquela que, por instantes, pensei que levantaria do chão a minha frágil cabana das montanhas, levando-me junto, sem vassoura entre as pernas, como normalmente as bruxas percorriam o universo nos livros infantis. Pelo menos nos da minha geração, onde o lúdico envolvia a mente e me transportava para bem longe do impossível.
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
FALSO BRILHANTE
Vivemos de miudezas
que fingimos não ver.
O ir e vir dos filhos,
a fila que não anda,
o autocarro cheio,
o “bom dia” automático
que sai da boca
sem passar pelo coração.
São banalidades, dizemos.
Mas são elas que nos gastam os dias,
que polêm ou apagam
o brilho dos instantes
conforme a forma
como os deixamos entrar.
Choramos perdas,
engolimos a fome,
seguramos o corpo e a alma
no trânsito parado.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
INCAPAZ DE VIDA
Quatro e trinta. Sou acordada por uma orquestra sinfónica de grilos e sapos, tendo como solista uma afinadíssima cigarra. Abro a janela e volto a deitar-me, agora com diante dos olhos mais um espetáculo da natureza, cujo bilhete de acesso só me custou paixão.
Penso, diante de tanta beleza, no quanto ainda, como humana, sou tola e frágil nas emoções e nos sentimentos. Lamento momentos perdidos entre a vaidade e a ambição, que me roubam a graça maior de me sentir apenas vida, porque me deixo induzir pela sedução do estéril e do pueril que os meus sentidos adulterados insistem em reconhecer.
domingo, 11 de janeiro de 2026
DÚBIA PRESENÇA
São seis e trinta, e no horizonte a neblina vai-se dissipando lentamente, escondendo-se entre as colinas, mergulhando silenciosamente no mar da vegetação nativa que adoro apreciar a cada amanhecer.
E como não associar esse movimento à mente humana, que esconde emoções e consequentes sentimentos por entre comportamentos aparentemente sociáveis?
sábado, 10 de janeiro de 2026
PAIXÃO DOS SENTIDOS
Ainda me lembro e já faz uns duzentos anos de estar sentadinha na varanda da casa de campo, em Guapimirim, RJ, observando a chuva fina, persistente, que diante dos meus olhos se oferecia. Eu seguia os pingos que se revezavam entre si, caíam e escorriam lentamente por uma das folhas de um enorme cipó-imbé, enroscado numa árvore frondosa a poucos metros de mim.
O aroma daquele lugar mágico era um misto de terra molhada e relva fresca, acompanhado por um turbilhão de outros cheiros que, como temperos adicionais, vinham da vasta vegetação ao redor. Ora pareciam frutíferos, ora apenas um conjunto rico e perfumado de tudo o que os meus olhinhos de criança conseguiam enxergar e que me fascinava profundamente.
Mal podia eu imaginar que, ali, naquele instante simples e silencioso, nascia a minha paixão pela natureza: esse precioso verde que se alterna com tantas outras cores, num emaranhado organizado de vida, convivência e equilíbrio.
Seria este o verdadeiro encanto da vida? Poder conviver harmoniosamente com tudo o que nos cerca, respeitando formas e tempos, estilos e cores absolutamente singulares?
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
OS EXTREMOS
...de qualquer natureza, sempre foram enormes impedimentos para mim, travando-me principalmente a criatividade em meus escritos. Assim como meu corpo, que reage imediatamente através da pele sensível, logo se mostra sofrida, como se gritasse em silêncio por socorro, apresentando manchas avermelhadas que surgem do aparente nada.
Portanto, deixe-me ser como sou…
Hoje, particularmente, o calor marca presença sem dó, e minha mente simplesmente recusou-se a pensar. Então, como escrever?
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
BOM DIA – LUZ – CÂMERA – AÇÃO
É assim, com a alma em vigília e os sentidos em estado de graça, que começo os meus benditos amanheceres, esteja onde estiver.
Porque sempre houve uma janela, ainda que mínima, por onde a vida me convidasse a entrar em cena.
E o céu… ah, o céu nunca faltou. Sempre ali, cúmplice silencioso, a estimular-me a continuar.
Acordar e ser acolhida por este cenário foi mais uma das minhas escolhas ousadamente conscientes.
Nada me fascina tanto quanto oferecer o meu bom-dia a Deus
esse Deus que não se esconde,
que se deixa ver na luz,
sentir no vento
e tocar no corpo vivo da natureza.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
MOMENTOS ÚNICOS
Há momentos que nascem únicos
e, ainda assim, o tempo insiste em torná-los comuns.
Outros, mais graves, crescem à sombra da indiferença,
quando deveriam ser interrompidos com firmeza
antes que o hábito os transforme em norma.
Talvez seja falha de um sistema que ensina a correr,
mas não a sentir.
Que orienta escolhas,
mas deseduca o essencial.
Há no humano uma tendência antiga:
abandonar o que sustenta
para se agarrar ao que brilha.
Confundir urgência com ruído.
Elevar o banal à categoria de indispensável.
E assim, o descartável ocupa o centro,
enquanto o vital afunda
nos poços profundos da ignorância existencial
lugares onde nem a lua cheia ousa entrar.
Só quando a finitude se aproxima,
como um aviso tardio,
é que se tenta compreender
o que sempre esteve à vista.
Perde-se, então, a vida.
Não por ausência de tempo,
mas por ausência de encontro.
Sem intimidade.
Sem presença.
Sem ter tocado o que realmente importava.
As atenções dispersam-se
em chagas emocionais repetidas:
algumas leves, passageiras,
como o falso regozijo que logo se desfaz;
outras rígidas,
presas ao mecanicismo de pensar e agir
sem alma.
E a vida generosa, silenciosa
segue o seu curso.
Corre como um rio
em direção a um mar que existe,
mas que o insensato
jamais alcança.
Ontem, ouvi 1,3 centímetros de vida.
Um coração minúsculo,
sete semanas e quatro dias,
pulsando com firmeza
no ventre da minha Anna.
Aquele som não pediu argumentos.
Não pediu debate.
Apenas afirmou a sua existência.
Ali, compreendi mais uma vez
que ser contra o aborto
não é rigidez,
nem retrocesso,
nem tradição cega.
É consciência.
A vida não é um erro a ser corrigido,
nem um excesso a ser eliminado.
É um princípio.
E, se para tudo existe solução,
ela começa sempre
no entendimento lúcido
do sim
e do não.
Regina Carvalho
07.01.2026 — Pedras Grandes, SC
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
ASTROS INTERIORES
Não foi o amor recente
que me tornou mais clara.
Foi a memória
esse sol tardio
que ainda aquece
as estações do corpo.
Há quem pense
que a alegria feminina
precisa de um braço
para se apoiar.
Enganam-se.
Ela precisa de céu.
Guardo na pele
danças sem plateia,
calçadas transformadas
em constelações,
passos simples
que rasgaram o tempo.
Fui levada às estrelas
sem promessas,
sem mapas,
apenas pela coragem
de quem soube olhar
para cima comigo.
E quem aprende o céu
não mendiga presença.
Escolhe.
Hoje, caminho leve
porque já fui inteira
noutra latitude da vida.
E o que vivi
não envelhece
transfigura.
Se espero,
não é por companhia,
mas por altitude.
Alguém que compreenda
que amar
não é preencher vazios,
mas reconhecer luzes.
Tenho a idade
das memórias que me sustentam,
e a serenidade
de quem sabe
que algumas estrelas
não voltam
mas também não se apagam.
E isso
é mais do que suficiente.
Regina Carvalho - 6.1.2026 Pedras Grandes SC
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
DE TUDO UM POUCO
Acordei pensando nas infinitas variantes que a vida apresenta e em quanto deveríamos copiá-la em tudo o que nos fosse afim, em vez de nos limitarmos a este ou àquele conhecimento específico, ou ainda à estagnação, seja ela qual for.
Afinal, quando saímos da caixinha da acomodação mental e emocional, deparamo-nos com maravilhas que se encaixam perfeitamente em cada instante presente, enriquecendo a nossa própria vida, colorindo-a e perfumando-a com variadas cores e aromas, tornando-a, no mínimo, mais prazerosa.
domingo, 4 de janeiro de 2026
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Em respeito aos milhares de seguidores de minha página e especificamente das lives que posto no facebook, desde 19 de agosto de 2020, se...







































