quarta-feira, 29 de abril de 2026

VIVENDO E APRENDENDO

Ouvi, neste amanhecer, uma senhora que deduzo ser psicóloga abordando um assunto no Facebook que me tocou de forma clara e esclarecedora. Afinal, fui educada e eduquei meus filhos repetindo estas e muitas outras expressões.

Lembrei-me também de uma música composta por Belchior, chamada "Como Nossos Pais", que foi um sucesso retumbante na voz de Elis Regina em 1976, pouco tempo depois do nascimento do meu Luiz Claudio. A letra retrata que, apesar de às vezes culparmos nossos pais por tudo, lá estava a Regininha reproduzindo nos filhos os mesmos padrões.


"Minha dor é perceber / Que apesar de termos feito tudo o que fizemos / Ainda somos os mesmos e vivemos / Como nossos pais."

Hoje, relembrando esta música, posso comparar-me a um disco arranhado, repetindo os refrões dos meus pais, que não abriam mão de que fôssemos crianças comportadas, limpinhas, arrumadas, atenciosas, educadas, discretas e obedientes, quase beirando a invisibilidade e, acima de tudo, disponíveis. Com isso, tornou-se impossível não nos tornarmos reféns do que "os outros vão dizer ou pensar" a nosso respeito. Cruz credo! Que carma foi esse que transmiti amorosamente aos meus filhos?

Cada um de nós, muitas gerações depois, reagiu de uma forma, mas até neste aspecto meus filhos herdaram muitas das minhas ações e reações. Que coisa, viu! Daí a necessidade de estarmos atentos aos entendimentos mais esclarecedores, que sempre precisarão de polimento e adaptações, mas que são inegavelmente agregadores. Afinal, nem tanto ao mar, nem tanto à terra; o segredo é o equilíbrio fundamental na formação do caráter e das emoções.

Percebi que frases proferidas com frequência e repletas de um amor dedicado podem ter efeitos desafiadores:

"Deixa que eu faça, sozinho você não vai conseguir": cria uma insegurança que pode levar a criança a precisar estar sempre atrelada a alguém para realizar seus projetos.

"Não chore por esta bobagem": desvaloriza o sentimento da criança que, naquele momento, sente como se fosse o fim do mundo.

"Você é tão bonzinho, quieto e obediente": pode torná-la refém da necessidade de agradar os outros e ter medo de errar o tempo todo.

Sou apenas uma mãe que se viu repetindo frases e constatando seus efeitos, tanto em mim quanto nos filhos que criei. Penso neste instante sem culpas que fiz o que pude com as ferramentas que dispunha, mas agora, mais esclarecida, tomarei cuidado para não repeti-las com o meu netinho.

Vivendo e aprendendo, simples assim...

Regina Carvalho-29.4.2026 Pedras Grandes  SC

Ilustração-IA

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