sábado, 4 de abril de 2026

PRIORIDADES...

Não sei você que me lê, mas ao longo da vida, talvez por instinto, natureza ou simplesmente indução de um naturalismo sempre presente, fui criando um sistema selecionador de prioridades que deveriam fazer parte dos meus interesses.

Como uma observadora contumaz, meus sentidos, como apuradíssimos radares, captavam informações, dando muito trabalho à minha mente que, incansável, processava e selecionava o que de alguma forma contribuiria para o meu todo de criatura humana, tendo especial atenção ao "todo mundo faz assim".


Nesta semana santa, sossegada com meus pássaros, vacas, gatos e cachorros que não são meus, e sim dos sitiantes vizinhos, mas que me fazem companhia, entendo que cada um deles, de uma forma ou de outra, me fez sua prioridade. Isso é simplesmente consolador, ainda mais nos tempos atuais, em que as prioridades das pessoas são instantâneas e descartáveis, não havendo ração de qualquer natureza que as fidelize, nem mesmo o que chamam de amor.

Se bem que, assim como as leis e a Constituição, suas interpretações são tão variadas que podem caber bem ajustadas nos variados casos que se apresentam, a depender unicamente dos interesses de quem as interpreta. Portanto, como esperar que, com exemplos públicos tão exitosos, as pessoas não os copiassem? Criou-se, desta forma, uma convivência desrespeitosa mesmo propagando-se igualdade de direitos, mutilações ou invasões nos valores alheios, com negacionismos no mínimo insensatos, através de discursos de supostas verdades absolutas.

Sem perceber, fomos dando asas às cobras do obscurantismo pessoal ao permitir que um progresso com verdades de celofane colorisse uma convivência com cores que qualquer chuvinha leve é capaz de fazer escorrer, manchando o piso dantes existente. Este precisava de recapeamento e não que fosse simplesmente destroçado com o peso bruto da inconsequência, para nele se colocarem os piches que chamam de um novo asfalto de progresso, evolução ou coisa que o valha.

De repente, como escrevinhadora, não preciso mais pensar, bastando copiar e colar o que o sistema estruturado por fortes aliados determina como certo e prioritário. Pior: nem é bom tentar resistir ou mostrar saídas menos truculentas, já que a punição é imediata e não falha, com penas geralmente a serem cumpridas nos cárceres dos ostracismos de todas as espécies ou nos mortais confrontos que, se não matam o físico, lesionam dolorosamente a alma.

E aí, o que fazer? Como agir sem jogar pelo esgoto da leviandade a própria autoestima, sustentáculo do bendito real respeito que se deve ter a tudo o que a vida generosamente oferece? Resta como único consolo as variadas encenações cinematográficas litúrgicas dos estúdios da fé.

Regina Carvalho – 4.4.2026 – Pedras Grandes, SC

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