Dizem que é um dia da caça e outro do caçador. O ideal seria não precisar estar em nenhuma dessas situações, mas, com esta humanidade que se perdeu em egos vaidosos e em uma ignorância sistêmica, acredita-se que para ter algo é preciso abater o próximo. Desconsiderado o equilíbrio na divisão de bens e valores, restou-nos apenas o consolo divino.
Ontem vivemos um marco histórico no Senado Federal que remonta a Floriano Peixoto, há 132 anos. Vejo uma semelhança que preciso registrar: ele e Luiz Inácio Lula da Silva possuem algo em comum. Enquanto um representava a “República da Espada”, o outro fez da canetada sua arma mais poderosa, transformando-a em uma cobra que "morde e assopra". Essa expressão descreve a hipocrisia de quem prejudica para, logo em seguida, fingir consolo, distribuindo migalhas ao povo sofrido. Jamais alteram, de forma consistente, a condição indigna do cidadão, a começar pelo salário mínimo vexaminoso, incapaz de suprir as necessidades básicas de uma família, enquanto fecham os olhos para os aumentos descabidos e regalias extras das classes política e jurídica, autodenominadas "constitucionais".
Todavia, não me iludo. Pelo que me lembro, sempre foi assim, estivesse no poder a Direita ou a Esquerda. Mas preciso ressaltar que absurdos envolvendo corrupção e aniquilação educacional, com a inserção de valores pueris, jamais foram tão afrontosamente ofertados ao povo quanto nos últimos trinta anos.
Na realidade, o descaso escrachou de vez. Abriram-se as portas para que a criminalidade operasse lado a lado com as esferas de comando, transformando ruas em cenários de barbárie sem precedentes. Daqui até as eleições de outubro, moedas e vícios rolarão em troca do voto de cidadãos alienados e sem esperança. O que deveria ser um amparo emergencial constitucional transformou-se em moeda barata de curral eleitoral.
Mas quem sou eu para falar o que penso? Apenas uma cidadã longeva que arquivou na memória o peso da história nacional.
Regina Carvalho – 30.04.2026 – Pedras Grandes, SC.
Ilustração-IA

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