segunda-feira, 6 de abril de 2026

LIMITES

Pessoalmente, comparo-os às margens de um rio. Creio que, por mais que sejam vilipendiadas, lá permanecem como direcionadoras de caminhos para as águas volúveis. Assim somos nós: intempestivos violadores dos próprios limites, oferecendo às nossas vidas irreverências comportamentais sob os auspícios de inúmeros argumentos que justificam os absurdos cometidos por nossas emoções. Violamos profundamente nossas ricas matas ciliares, que são nossos sentidos, os quais, em incansável alerta, persistem em sinalizar perigos evidentes.

De tempos em tempos, a história da humanidade em relação ao convívio interpessoal e ao meio ambiente se intensifica no tocante às inconsequências de todas as ordens. É possível constatar, na era atual, que tudo parece progredir em aspectos científicos e tecnológicos enquanto uma parcela da humanidade se esforça no resgate de uma barbárie generalizada. Isso, mais do que assustar, destrói o bem mais precioso: a vida em seus aspectos mais estruturantes.


Eu mesma, que passei grande parte da vida observando e escrevendo a respeito, vez por outra me vejo ultrapassando minhas matas ciliares como uma tola inexperiente, permitindo-me ser invadida pelo inadequado que, como chuva de verão, desaba em mim. A desculpa é a de sempre: "Errar é humano". Será mesmo que nós, humanos, desconhecemos os sinais de perigo ou eles nos atraem? Atração esta que, geralmente, apresenta-se como fatal.

Hoje, mais do que nos últimos cinquenta anos, é corriqueiro constatar tamanha fatalidade. Tudo começa, assustadoramente, pela proliferação da falta de respeito por si, que permite que sejam esfaceladas as convivências de qualquer natureza. A mídia, sem dúvidas, é a grande propagandista, transformando o lixo que sempre existirá no convívio social em um luxo artificial que corrompe os limites. Transforma o originalmente belo, justo e sábio em um absoluto nada, um fantasioso ideal a ser copiado. Incrível é o poder da indução audiovisual, que nos faz esquecer que somos nós os carvões que ardem nas fogueiras para que alguns poucos possam assar seus churrascos.

Que coisa, viu!

Regina Carvalho-6.4.2026 Pedras Grandes SC

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