quinta-feira, 23 de julho de 2026

NINGUÉM ME PEDIU...

Mas ainda assim, desde a minha juventude, registro minhas impressões sobre o universo e seus movimentos, sobre a natureza e sua relação direta com cada criatura humana. É um laborioso trabalho de amostragem educacional que geralmente passa batido no cotidiano da maioria, tão ocupada que está em sobreviver às dificuldades sistêmicas, além de se proteger de um convívio cada vez mais pernicioso. 


A distração produzida artificialmente varia vez por outra, funcionando como válvula de escape. Da mesma forma, um determinismo alucinado em obter notoriedade, poder e recursos financeiros ocupa um descomunal espaço na vida de cada um. Sendo assim, como perceber o óbvio que insistentemente se exibe, desejoso em ser observado para então ser copiado? 

O mar, os rios, as matas, os animais, as estrelas e tudo mais que é ostensivo sequer são notados na sua mais expressiva correlação conosco. Que pena que não somos capazes de acompanhar as marés com o nosso raciocínio lógico, compreendendo a importância de cada uma na formação e manutenção do nosso próprio equilíbrio físico, psíquico e emocional. 

Ora caudalosa e repleta de movimentos, ora plácida e silenciosa, a natureza não possui vazios, mas apenas uma necessária alternância. Na mecânica universal, o sobe e desce das águas tem propósitos e papéis diretos em nosso planeta e, por consequência, nos seres vivos. Portanto, como não escrever sobre esta perfeição da natureza que nos influencia e que é capaz de nos curar de toda e qualquer ansiedade? 

Ela tira de nós os destrutivos vazios e estabelece tão somente um ciclo absolutamente natural de movimento e descanso, onde é oferecido ao corpo a mesma sustentação costeira. Ou seja, a alternância diária das marés renova os ambientes de mangues e estuários, transporta nutrientes essenciais e dita o ciclo reprodutivo e de alimentação de inúmeras espécies marinhas, enquanto em nós, e no resto da natureza, atua através do ritmo biológico, do comportamento e de forças em grande escala.

Embora a gravidade da Lua não mude a água do corpo humano devido à nossa massa minúscula, a alternância entre o dia e a noite e os ciclos lunares moldam profundamente a vida na Terra. Tudo tem sua ligação direta, afinal, não estamos soltos e desvinculados. De verdade, você não me pediu, mas se percebi, segui e me dei bem, como não lhe oferecer?

Regina Carvalho, 23.7.2026, Pedras Grandes, SC.

Ilustração- IA

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