segunda-feira, 31 de agosto de 2026


 

COMO SERÁ?

Ontem à tarde, enquanto acalentava amorosamente meu neto de apenas treze dias em meus braços, olhava fascinada seu rostinho sereno. Minha mente pululava em interrogações. Afinal, o que será dele daqui a dez ou quinze anos em meio a este mundo onde as ciências e as tecnologias parecem estar em uma corrida sem limites de velocidade? 

Tecnologias que hoje, desalmadas, atropelam sem piedade nós, os pobres mortais que, sem eira nem beira, nos aglomeramos em grupos tão somente para sobreviver nestas selvas sistêmicas, cada qual com regras e normas que sequer temos tempo e conhecimento para mensurar.


domingo, 30 de agosto de 2026

FLORESCENDO COMO OS IPÊS

Neste amanhecer, como em tantos outros, acordei absolutamente apaixonada por mim. Olhei-me no espelho enquanto escovava os dentes e senti um enorme orgulho da jovem, da mulher madura e da senhorinha que me tornei. Curvei-me para enxaguar a boca e lavar o rosto e senti a água fria despertar-me totalmente e, por conseguinte, sorri admirando-me encantada. 

Que vida, hein, dona Regina?! Que show de desenvoltura e criatividade, aliada à sempre presente paixão pela vida e à sem tamanho fidelidade aos meus familiares e amigos.



 

MENINO PERDIDO

Ontem caí na besteira de assistir à entrevista que mais pareceu uma inquisição com o entrevistado Flávio Bolsonaro, na Rede Globo. Desde o início, percebi uma pessoa que se sentia insegura, o que me levou a lembrar de meu filho quando eu precisava ter um papo mais sério com ele. A princípio, aquilo me causava pena, mas fazer o quê, se meu papel, além de amá-lo, era educá-lo?

Pois é, lá estava o frágil Flávio Bolsonaro tentando responder, através de desvios argumentativos, às perguntas incisivas dos dois bem escolados jornalistas. Eles só atenuaram para o presidente Lula e mais ninguém, até porque os demais, afora o Caiado, até então não lhes pareciam capazes de estar na mesma pista da corrida presidencial. 



 

O ABRAÇO DA MEMÓRIA

O vento lá fora assovia e traz a chuva,

O nevoeiro cinzento esconde o quintal,

E a alternância do tempo que tudo muda

Me faz lembrar o que é eterno e real.

Desde que você se foi, meu adorável Roberto

A noite chega fria e o silêncio é companheiro,

Mas busco o aconchego que a saudade tem

Na quentura guardada em meu travesseiro

A imaginação abraça a minha necessidade,

E na fantasia amorosa que ela sabe criar,

Sinto de novo aquele amor de verdade,

No seu calor a me confortar.

Ah, se as pessoas pudessem notar o valor

De quem caminha ao seu lado com esmero,

Cuidariam melhor de cada detalhe, do amor,

Pois o tempo voa mais rápido e surpreende.

Tudo passa depressa, deixando apenas lembranças

O que tínhamos ontem, hoje não temos mais,

Mas quem ama com a alma no fundo entende:

As velhas lembranças são portos de paz.

No fim das contas, quando o frio nos alcança,

É o calor do passado que nos faz bem,

Fazendo valer o tempo vivido

E das doces memórias que o coração tem.

Regina Carvalho- 30.8.2026 Pedras Grandes SC

Ilustração -IA 



quarta-feira, 26 de agosto de 2026


 

PERDI O SONO

Impossível para mim desrespeitar minha própria natureza. Quando o faço, ela cobra sem piedade. Na noite passada, tirou-me o bendito sono que, como um reloginho, sinalizou-me, como sempre, que era a hora de ir dormir. 

Como não fui, perdi o direito de simplesmente apagar serenamente e, quando penso nas razões que me induziram a este erro imperdoável, sinto muita raiva de mim. Agora, às cinco e trinta da manhã, fazer o quê, além de adiar os compromissos?


terça-feira, 25 de agosto de 2026


 

"QUE FRIO É ESSE?

Puxa vida, nem sei bem como me expressar... 

Nem sei o que eu daria para estar debaixo de um solzinho gostoso, a fim de esquentar meu corpo que a Deus implora há meses para que o inverno acabe. Todavia, tudo indica que setembro perpetuará esta geladeira, trazendo uma primavera, estação que mais adoro, ainda gelada. 

Por falar em primavera, minha memória traz de volta um certo ano em que, do nada, decidi comemorar o início da estação levando flores para algumas mulheres encantadoras que eram minhas fiéis ouvintes da Rádio Tupinambá. 


domingo, 23 de agosto de 2026


 

PARTIDARISMO NEFASTO

São nove horas deste domingo friorento e só agora me decidi a escrever sobre um comentário que li em determinada postagem, onde havia o relato de tiros ouvidos na Praça do Mercado, em Itaparica. 

De um lado, a narrativa associando o fato ao desastroso governo petista, generalizando a sua responsabilidade. Do outro, uma defesa para lá de incompreensível, já que ressalta o pouco senso de segurança pessoal quando afirma: “Ou aceita ou surta”. É como se, por ser petista, a pessoa estivesse isenta de ser alvo da violência que, infelizmente, há muito assola a nossa bendita Itaparica. É possível observar que há uma total falta de senso de segurança à população. 


sábado, 22 de agosto de 2026

SEIS ANOS SEM VOCÊ

Gostaria de chorar como se uma cachoeira de saudades eu fosse, mas a lembrança da luz dos olhos teus, me faz sorrir com a fluidez de um regato de paz.

Que bom, que estarás sempre em mim, como uma tatuagem de luz em minha alma, fazendo-me sorrir...

Que bom, tê-lo encontrado nesta vida...

Que bom, poder acreditar que estaremos juntos em todas as vidas, num círculo ininterrupto de vida, aperfeiçoando o nosso amor.

1944 - 2020



Poesia da Alma

Nasci fora dos moldes e das velhas convenções

Cresci sem confrontar os rituais da tradição

Herdei do meu pai esse jeito tão meu

De não seguir modelos que o mundo escolheu

Não acendo velas nem levo flores ao altar

Pois quem partiu se faz presente no meu olhar

A vida se celebra enquanto o peito pulsa forte

O amor que ofereci não se apaga com a morte

Guardo o riso a gratidão e a atenção inteira

De quem esteve ao meu lado numa jornada verdadeira

Dias atrás cuidei de mim cortei o cabelo e mudei

Pintei os lábios e roupa nova comprei

Fiz exatamente o que ele esperaria me ver fazer

Éramos jovens livres de mãos dadas a caminhar

Fortes e unidos nas vitórias e nas derrotas

Daria o que não tenho pelo perfume do seu ser

Por um cafuné macio que me fazia florescer

Viver sem o seu toque não me é possível esquecer

Mas ele me ensinou a ser resistente contra a garoa

Se não posso beijá-lo amo-o com serenidade.

Pois a gratidão em meu peito faz uma eterna festa

A saudade às vezes quer virar uma cachoeira em meu olhar

Mas a luz dos olhos dele me faz sorrir e acalmar

Como um regato manso que corre em direção ao mar

Sinto sua presença em minha alma a me habitar

Você é uma tatuagem de luz que o tempo não desfaz

Que bom ter te encontrado e descoberto essa paz

que por um instante, fez de mim uma poeta.

Estaremos juntos além do tempo em outras vidas 

Num círculo infinito de companheirismo e amor.

Regina Carvalho -22.8.2026 Pedras Grandes SC

Ilustração IA



sexta-feira, 21 de agosto de 2026

ÍNTIMO CHAMEGO

Tem dias que tudo dá certo até mesmo no nosso acordar, quando nos parece gostoso espreguiçar, colocando a mente em consonância com o corpo, numa preguicinha leve e gostosa que, na realidade, é uma poderosa carícia pessoal. Nesses momentos, é o corpo que está pedindo respeito e aí, o ideal é ficar mais uns minutinhos embalando a si mesmo e, depois, levantar sem pressa, sem afrontar estes momentos iniciais do corpo e da mente. 

Incrível, mas se bem observado, esta carícia cognitiva se arrasta ao longo do dia, tornando-o mais produtivo, mesmo em meio a muitos tropeços pessoais e profissionais, já que se está mais harmonioso e lúcido para desembaraçar este ou aquele problema, que, aliás, sempre existirá.



 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

ESPERANÇA DE QUÊ?

Literalmente madruguei, mas também queria o quê se dormi durante o Jornal Nacional? Já que me foi impossível assistir aos mesmos assuntos, principalmente as guerras que se estendem diante do mundo, matando diariamente pessoas que imediatamente se transformam em números e são acrescentadas aos índices da surrealidade. 

Bizarro e inacreditável é ainda alguém acreditar que seja possível corrigir esta ou aquela situação esdrúxula dos poderes atuais, dentro dos contextos políticos, tendo como parâmetros o mundo e suas distorções, principalmente relacionadas às grandes potências. A mim, que não passo de uma palpiteira mequetrefe, já deu, e não é de hoje... Afinal, não me é mais possível receber estas informações absolutamente sem qualquer sentido de lógica e razão, parecendo ter saído de um sonho, de um pesadelo ou da imaginação mais absurda.



 

terça-feira, 18 de agosto de 2026

VIVENDO INTENSAMENTE...

Escrevi muito sobre este tema, inclusive na manhã de ontem e às vezes, como hoje, fico pensando que posso estar induzindo a uma liberalidade e, de certa forma, estou... 

Gente, o que é isso? Como alguém confessa publicamente que é uma indutora deste nível? Jesus toma conta, dirão muitos, principalmente os que sequer podem compreender o que realmente significa viver. 

Estão presos e sequer percebem nas mesmices cotidianas que tiram deles a sensibilidade dos próprios sentidos e os sobrecarregam de regras e fórmulas de como vivenciar a liberdade, impedindo-os de enxergar e sentir a si mesmos e a tudo mais com a devida atenção.


segunda-feira, 17 de agosto de 2026


 

Gozo de vida...

Depois de dias que pareciam ter engolido o sol, eis que surge uma manhã clara trazendo pequenos fachos do bendito no horizonte, iluminando, ainda que timidamente, as copas das árvores e os cumes das colinas que posso enxergar.

Existe no ar uma brisa ainda fresca, capaz de provocar pequenos arrepios, o que me abastece de prazer. Aliás, perdi a conta de quantos textos escrevi sobre esta minha erótica emoção que a natureza gostosamente jamais deixou de me oferecer. Talvez por isso eu esteja sempre disposta a cada amanhecer, abrindo portas e janelas na sempre espera gratificante das aragens sensitivas da vida.

"Cuidado, mamãe, a friagem pode lhe fazer mal!" 

Ouço direto esta recomendação, até porque o clima por aqui no Sul não é para principiantes. Ainda não me curei totalmente de uma gripe galopante que adora se alojar em crianças e idosos. No entanto, em manhãs como a de hoje, se eu tiver que morrer, que eu então morra em pleno gozo de vida.

Abro janelas para a alma respirar...

Regina Carvalho (17.08.2026 – Pedras Grandes, SC



domingo, 16 de agosto de 2026

DORES PASSAM...

Ainda bem, caso contrário seríamos todos caixas pesadas de impossível transporte. No entanto, a depender da profundidade da ferida, o tempo de cicatrização varia, assim como o aspecto da cicatriz. E aí penso que a vida é tão perfeita que pensa em tudo e nos oferece o tempo e novas experiências, inclusive as que nos causam novas dores, a fim de que dispersemos o nosso foco, sem, no entanto, apagar as lembranças, para que não nos esqueçamos do ocorrido. 


 


RIDÍCULA...

Neste sábado escrevo sobre a constatação das vezes em que fui conscientemente ridícula, contrariando toda uma educação na qual conter as emoções era fundamental. 

Todavia, a forma que me moldou tinha pequenas rachaduras por onde escapuliu a obediência emocional. Aí, vez por outra ao longo da vida, as emoções me dominavam e não havia absolutamente nada que fosse capaz de contê-las. 


sexta-feira, 14 de agosto de 2026


 

EU QUERIA TER SIDO...

De repente, neste amanhecer a inveja me dominou. Afinal, enxergo e sinto tão profundamente a vida, por que, então, não consigo ser poeta? Durante toda a minha vida, fui agraciada com leituras simplesmente magníficas de poetas renomados, numa tentativa primeira de encantar ainda mais a minha mente e a minha alma, mas também para aprender a sê-lo. Qual nada. E olha que tentei ardorosamente, mas a rudeza das realidades que também enxergava serpenteando as belezas não podia ser esquecida. Então, lá estava eu navegando nas águas revoltas das emoções controversas, justo aquelas que a maioria sequer deseja encontrar, ainda mais de forma tão explícita numa poesia. 


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O AMANHECER DA VÉSPERA

SER OU NÃO SER, eis a questão. Na famosa fala da peça Hamlet, de William Shakespeare, o príncipe reflete se é mais nobre aguentar os sofrimentos da vida ou dar um fim a eles, concluindo que o medo do desconhecido após a morte é o que nos faz suportar os problemas. 

Hoje, no amanhecer da véspera do nascimento de meu primeiro neto, acho impossível deixar de refletir sobre o mundo que ele irá encontrar. Um mundo que a cada instante se transforma e se automutila, num desespero coletivo onde apenas as decisões unilaterais parecem existir.



 

sábado, 8 de agosto de 2026

DESSA ÁGUA EU NÃO BEBEREI

Ir a um restaurante sozinha, talvez a uma sessão de cinema ou teatro. Entrar, todos os dias, num apartamento vazio, quem sabe com um cachorrinho esperando. Sem esquecer dos finais de semana, que é quando o bicho pega. Usa-se uma tal de solidão que transformam em liberdade, independência ou seja lá o nome que se queira dar, mas que, ainda assim, precisa de uns aditivos, terapias, bailinhos e piedosos convites de alguns amigos para ser suportada. No início, é ótimo por ser diferente. Com o passar do tempo, porém, a solidão começa a pesar. Então, entra a internet e a busca de parceiros nas plataformas de encontros e, nesse caso, a coisa pode complicar. Escrevo sobre este modismo que a Globo abraçou e mostra de forma colorida, onde todos estão felizes e realizados. 



 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

INVENTÁRIO EM VIDA

Acordei pela madrugada fechando um grosso caderno e logo o reconheci como um relatório gerencial e contábil definitivo que confronta receitas, custos e despesas para apurar o lucro ou prejuízo final de minhas atividades pessoais enquanto mulher, esposa, profissional e mãe. 

Olhei na lateral e pude perceber que havia vários cadernos que, ao longo da vida, improvisei, transformando-os em livros-caixa para registrar expectativas e frustrações, sorrisos e lágrimas, perdas e ganhos meus e daqueles a minha volta. 



 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

LIBERDADE?

Estou aqui pensando que se eu realmente escrevesse tudo o que penso a respeito do que sou capaz de enxergar e sentir à minha volta, principalmente tudo quanto vivenciei na pele, na alma e no bolso, creio que já estaria morta há muito. Portanto, resta-me rir de mim mesma e dos textos em que falo de liberdade, sabedora de que esta seja a maior utopia de todos os tempos e quem acreditou cem por cento nela se estropiou. 

A história humana está aí viva, mostrando com detalhes o fim de cada um, cuja glória residiu no pós-morte. Terão sido esses os legítimos heróis que admiramos ou, tão somente, exemplos emblemáticos do que não se deve fazer? 



 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

REBELDE, SIM; INSENSATA, JAMAIS!

Estou aqui pensando, enquanto espero o dia clarear, já que são quase 7h30 e, por enquanto, tudo ainda está escurinho por estas bandas do sul: se meu pai estivesse vivo e eu fosse adolescente, tal qual ocorreu nos anos sessenta, como seria minha vida?

O homem era uma águia vigiando cada passo, aonde quer que eu fosse. Minha mãe, sob sua supervisão, o supria com devoção de segunda a sexta, enquanto ele estava ausente, pois trabalhava em Barra Mansa e só chegava ao Rio nas sextas-feiras à tarde. 


terça-feira, 4 de agosto de 2026


 

TURMA DO GARGAREJO Eleitoral

Quase nove horas desta manhã de terça-feira e eu ainda não escrevi nada. Isso não é pouco para quem acordou às cinco horas. Rolo incessantemente o feed de notícias e, pelo amor de Deus, nada me inspira. Até que me vejo diante de mais uma postagem que fala a respeito do ex-prefeito de Itaparica, Claudio da Silva Neves, fato que ocorreu em 2004. Ou seja, 22 anos passados. É incrível: existe uma esfera de pessoas em que, enquanto uma grande parte o admira e respeita, uma outra pequena, corrosiva e resistente fração simplesmente não esquece de atacá-lo a cada pleito eleitoral. Penso então: isso é que é carisma e força!


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

O QUE VAI FICAR NO CARRINHO?

Hoje estaria completando três dias sem que eu escrevesse um texto. Mas aí, algo voltou a acontecer de forma absolutamente natural em minha mente• que sequer consigo explicar.

 Como num passe de mágica, ela saiu da inércia, sem nada mencionar além de uma vontade imensa de se auto-adular, e então pensou: "Regininha, você jamais perdeu a fé..."E ao não perder a fé em si, sem qualquer esforço foi preservando tudo que verdadeiramente lhe era importante. 


sábado, 1 de agosto de 2026

BRASIL,

O país gigantesco e rico de tudo que se possa imaginar, repleto de brilhantes mentes e talentos em todas as áreas e, ainda assim, um país de miseráveis do analfabetismo de base e funcional, da fome e da criminalidade.

A incoerência é tão gritante que fere, pelo menos em mim, qualquer racionalidade. Então, sem qualquer lógica explicativa, recorro à espiritualidade, pedindo no mínimo que me ofereça a devida harmonia compreensiva, a fim de ir aceitando o que verdadeiramente, há muito, compreendi que não poderei modificar, mesmo que, infantilmente, com o coração repleto de fé e vontade, tenha tentado ardorosamente.