terça-feira, 28 de julho de 2026

NÃO ENTENDO...

E por não entender permaneço como uma especuladora contumaz em comparações entre o belo e o feio, sem encontrar razões racionais que façam um número cada vez maior de pessoas optarem por ingerir o cruel e danoso, fazendo destes horrores suas adrenalinas instantâneas.

 Claro que existem explicações teóricas e práticas que principalmente a psicologia oferece, mas ainda assim, minha mente não consegue alcançar e então, há muito deixei de querer entender e simplesmente contorno tudo quanto possa considerar como lixo sistêmico, no que se inclui, tudo que represente chorume como apelos de sucessos de bilheteria, geralmente altamente duvidosos. Ontem tentei por insistência de minha filha assistir a um filme que contava a história macabra de Elize e Marcos Matsunaga, aquele herdeiro da Yoki que foi morto e esquartejado em seu apartamento em São Paulo, todavia, com menos de 30 minutos, percebi a tragédia que se avizinhava, independente de saber através da cobertura minuciosa à época do ocorrido. 


Tentaram oferecer cálices de licores emocionais ao relacionamento que se apresentava desde o início com todos os ingredientes para que se formasse o mais amargo dos coquetéis, onde os desvios de conduta, certamente estavam presentes. 

E aí, desliguei a NETFLIX e fui sentar-me na varanda, pousando os meus olhares na mata exuberante a minha frente, não para fugir das realidades que me cercam, mas para limpar-me do pouco que assisti, lamentando que o ibope opte sempre em manter acesa a chama do indevido, tentando justificar ações e reações no mínimo esdrúxulas sob o ponto de vista da lógica racional. 

Enquanto, olhava para o horizonte deslumbrante que se descortinava diante de mim, lembrei-me de algo que escrevi, quando precisei enfrentar a minha primeira grande decepção: “Ninguém tem tudo, meu bem, a não ser que tu também estejas sempre a sonhar, pois, os sonhos são mais profundos, são como poços bem fundos onde a dor e as decepções não podem alcançar”. 

E não é que deu certo... Afinal, nos poços que escavei ao longo da vida, depositei o mais precioso estimulante que chamei de gratidão, talvez por esta razão, não houve um só dia em minha vida onde o carinho de alguém tenha me faltado. 

Benditas são as dores que transformamos em vibrações de gratidão capazes de romper barreiras aparentemente intransponíveis unicamente para o amor passar, preenchendo as lacunas existenciais que sempre existirão.

Regina Carvalho- 28.7.2026 Pedras Grandes SC

Ilustração-IA

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