Traçamos planos e neles incluímos outras pessoas sem sequer nos atermos ao fato simples, mas absolutamente determinante, de que elas ou estão agindo levianamente como nós ou sequer foram avisadas de nossas intenções. O que é pior: não sabem sobre as extensões das mesmas.
Este desatino acontece em todos os relacionamentos humanos onde a associação de interesses é falseada pelo frágil impulso dos inebriantes entusiasmos e pela necessidade íntima de só mostrar o que se admite, para si mesmo, ser o ideal a ser revelado.
Aí, não é de se estranhar que, em um tempo que pode ser curtíssimo a depender da era que se está vivenciando, os conflitos se mostrem e o relacionamento desande. Isso é muito comum nos relacionamentos amorosos, onde as perspectivas são tão altas quanto as decepções.
Afinal, dividir o cotidiano não é uma tarefa para fracos e sonhadores; necessita de um alto grau de realismo que o estímulo emocional e físico sufoca e cega, sem contar que cada pessoa possui a sua própria e intransferível capacidade de absorver, sentir e avaliar.
Portanto, este processo de ajustes requer, no mínimo, uma dose reforçada de paciência, que é prima-irmã da resiliência, a qual, definitivamente, nada tem a ver com conformismo, e sim com a vontade de permanecer na relação, promovendo os ajustes necessários onde ceder aqui e acolá faz todo sentido.
Chama-se de amor o que é apenas atração, e esta pode ser avassaladora se, de repente, o foco mirado se apresentar como uma cópia exata do desejado. Na prática, a pessoa, em sua maioria, está tão carente emocionalmente, tal qual um náufrago à deriva, que qualquer toco que flutue lhe parece uma segura boia e então, como o peso não foi mensurado, afundam-se os dois.
Penso que não há como evitar, mesmo que se seja um decifrador de qualquer equação matemática, já que, no percurso de qualquer relacionamento, o único fator que não pode deixar de existir é a amizade, mãe dedicada do respeito, capaz de estimular a compreensão de que nada é perfeito, assim como sonhos e realidades são, tão somente, planos adequáveis.
Regina Carvalho — 03/07/2026 — Pedras Grandes, SC
Ilustração-IATraçamos planos e neles incluímos outras pessoas sem sequer nos atermos ao fato simples, mas absolutamente determinante, de que elas ou estão agindo levianamente como nós ou sequer foram avisadas de nossas intenções. O que é pior: não sabem sobre as extensões das mesmas.
Este desatino acontece em todos os relacionamentos humanos onde a associação de interesses é falseada pelo frágil impulso dos inebriantes entusiasmos e pela necessidade íntima de só mostrar o que se admite, para si mesmo, ser o ideal a ser revelado.
Aí, não é de se estranhar que, em um tempo que pode ser curtíssimo a depender da era que se está vivenciando, os conflitos se mostrem e o relacionamento desande. Isso é muito comum nos relacionamentos amorosos, onde as perspectivas são tão altas quanto as decepções.
Afinal, dividir o cotidiano não é uma tarefa para fracos e sonhadores; necessita de um alto grau de realismo que o estímulo emocional e físico sufoca e cega, sem contar que cada pessoa possui a sua própria e intransferível capacidade de absorver, sentir e avaliar.
Portanto, este processo de ajustes requer, no mínimo, uma dose reforçada de paciência, que é prima-irmã da resiliência, a qual, definitivamente, nada tem a ver com conformismo, e sim com a vontade de permanecer na relação, promovendo os ajustes necessários onde ceder aqui e acolá faz todo sentido.
Chama-se de amor o que é apenas atração, e esta pode ser avassaladora se, de repente, o foco mirado se apresentar como uma cópia exata do desejado. Na prática, a pessoa, em sua maioria, está tão carente emocionalmente, tal qual um náufrago à deriva, que qualquer toco que flutue lhe parece uma segura boia e então, como o peso não foi mensurado, afundam-se os dois.
Penso que não há como evitar, mesmo que se seja um decifrador de qualquer equação matemática, já que, no percurso de qualquer relacionamento, o único fator que não pode deixar de existir é a amizade, mãe dedicada do respeito, capaz de estimular a compreensão de que nada é perfeito, assim como sonhos e realidades são, tão somente, planos adequáveis.
Regina Carvalho — 03/07/2026 — Pedras Grandes, SC
Ilustração-IA
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