segunda-feira, 13 de julho de 2026

HÁ ALGUNS DIAS NÃO TENHO CONSEGUIDO ESCREVER

Tomada por uma forte virose que domina os meus pulmões, enfraquecendo-me absurdamente e roubando-me o bendito ar. Aí, nada mais tem importância a não ser respirar. No entanto, a não menos bendita mente segue o seu rumo habitual, pincelando lembranças aqui e acolá em seu recôncavo, desterrando saudades e sorrisos. Ela ainda tenta, como safada que é, trazer à tona dores e perdas. Por mais contundida fisicamente que eu esteja, forço-me a lembrá-la de que neste território mando eu, e que nele só deixo entrar o que me faz bem. No enorme baú de minhas lembranças, guardei as pérolas que cultivei. Nenhuma poeira mais permito entrar, para que eu possa guardar o fluxo de novas e futuras lembranças pelo tempo que ainda tiver de vida. Dizem que nenhum raio cai duas vezes no mesmo lugar, todavia, quando são rios de sol por serem luz, nunca tiveram limites de tempo e lugar. Esse texto dedico aos meus filhos, nora e genro pelo carinho, presença e atenção nos mínimos detalhes que têm me oferecido, não medindo esforços para aliviar o meu desagradável mal-estar. Bendita a maternidade que me ajudou a crescer, e a sogrice que tem me ajudado a aceitar os diferentes, amando-os e reconhecendo suas generosidades em me aceitarem tal como sou: uma poeta falida, mas repleta de amor. 

Regina Carvalho, 12.7.2026, Tubarão, SC.

Ilustração-IA



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