terça-feira, 7 de julho de 2026

OLHA EU AQUI!

Estou aqui pensando e olha que não tem sido nada fácil, afinal, o frio tenta congelar o cérebro, mas aí coloco um aquecedor bem próximo. 

Voltando ao assunto em questão, penso que passei grande parte de minha vida escrevendo no e sobre o amanhecer, justo por considerá-lo a parte mais significativa do dia, já que representa o milagre de acordarmos, o que para mim é um renascimento. 


Todo o restante do dia será apenas consequência inevitável de como estamos exercendo o privilégio de estarmos vivos e dos movimentos nos quais nos inserimos, seja por opção ou necessidade. 

E aí, os transtornos se apresentam; alguns tão violentos que podem até ceifar as nossas vidas, seja por ações indiretas ou simplesmente nossas.

Partindo deste convencimento que nada possui de religioso, mas sim de pura lógica existencial, programo-me a sobreviver e, pelo andar da carruagem, tem dado certo. Portanto, neste amanhecer separei algumas atitudes que confesso nem sempre segui à risca, porque também fui contaminada por hábitos e costumes. Todavia, na maior parte do tempo, segui à risca e, talvez por isso, tenha sobrevivido com poucos arranhões e ainda tenha cicatrizado profundas feridas adquiridas nas mais improváveis convivências, onde depositei os meus mais sinceros sentimentos.

Afinal, convenhamos que vivemos todos numa arena sem qualquer seleção, desde os gatinhos às hienas, com o diferencial que, no sistema humano, existem as camuflagens e ninguém traz escrito na testa quem realmente é. 

Pois é, então, seguro morreu de velho... Não querer ter razão em tudo é um ponto fundamental que, longe de ser covardia, é a maior expertise que podemos aperfeiçoar sem que dependamos de quem quer que seja. Penso: de que me adiantará estar com a razão, mas morta? Depois, mais adiante, ela, a razão, se mostrará evidente de um jeito ou de outro.

Não abrigar a raiva, o ódio ou a mágoa, pois isso seria trazer para si a inadequação do outro. Se lembramos que a vida é curtíssima, partindo da certeza de que poderemos não amanhecer na noite seguinte, por que então estragarei a certeza dos instantes em que me sinto viva e podendo extrair dela as alegrias e gozos existentes? Imaginei sempre que um delicioso sorvete, um pão de queijo fresquinho, o sorriso de um filho, um beijo do meu Amor me consolariam das rudezas do mundo. E, acreditem, mais que consolar, deu-me ânimo e disposição para direcionar minhas emoções para o que verdadeiramente tinha valor agregativo, e ainda me fortificaram anos a fio para que eu testemunhasse a derrocada de um punhado de vampiros que tentaram, e ainda conseguiram, sugar um pouco da minha vitalidade.

E eu ainda estou por aqui! Até porque, em momento algum, rejubilei-me com as infelicidades daqueles que me fizeram mal, pois creditei à própria vida os resultados de cada caminhada humana, com a certeza absoluta que aqui se faz, aqui se paga.

 E eu não desejei jamais ir para qualquer outro plano carregando qualquer peso, além do amor.

Filosofia? Provavelmente, mas que tem dado certo... olha eu aqui! Pobre, sem eira nem beira, sem que nada me falte, cercada de atenção, carinho e respeito e, ainda por cima, ACORDEI!!!Trem bom da conta, sô!!!!

Regina Carvalho - 07/07/2026 - Pedras Grandes/SC

Ilustração- IA

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