quinta-feira, 30 de julho de 2026

AUFRÁGIOS CONTÍNUOS DAS ILUSÕES MIDIÁTICAS

SONHOS... Todo mundo sonha enquanto dorme, mas nem todo mundo, ao acordar, se lembra. Às vezes acontecem fragmentos do sonho, mas não é uma atividade constante. Na realidade, sou capaz de contar nos dedos as vezes em que sonhei e depois me lembrei. E aí, penso: por que estou falando disso neste amanhecer se sonhei com um banheiro extremamente sujo e dele me lembro em detalhes? 

Cruz-credo! Pelo sim, pelo não, pedi ao meu filho para jogar no rato e no porco no jogo do bicho online, se é que isso existe. Que coisa, viu!


Associando a sujeira do banheiro ao que chamam nos dias atuais de amor, sexo e feminicídio, busquei subsídios para a crônica de hoje. Encontrei breves histórias do surgimento dessas atividades que estão nas manchetes criminais diariamente; histórias que não se sustentam, mas que são capazes de dizimar pessoas numa guerra urbana sem precedentes históricos.

Sou da geração da pílula, da minissaia e do abaixo o sutiã. Aderi a apenas duas dessas modernidades. Não havia sentido em usar sutiã, pois meus mamilos eram quase inexistentes. Já a minissaia deixava parte de minhas coxas expostas, evitando que eu destoasse das demais meninas da minha idade, o que levava meu pai à loucura. 

Todavia, apesar de ser carioca de Ipanema, já naquela época centro das adesões contraculturais, não lembro de testemunhar esse frenesi sexual no meu grupinho de amigos, mesmo estando com os hormônios em ebulição. 

Afinal, havia o contraponto hollywoodiano que expunha uma nova juventude revolucionária em filmes como Juventude Transviada, assim como apresentava o mamão com mel de Sissi, a Imperatriz e As Aventuras de Zorro, filmes que assisto até hoje.

Pois é, mas durou pouco. Logo no início dos anos setenta, surgiram filmes como Último Tango em Paris, em 1972, A Super Fêmea, em 1973, Emmanuelle, em 1974, e Dona Flor e Seus Dois Maridos, obras que abriram as portas para os relacionamentos eróticos nacionais e internacionais. Dali em diante, nada mais foi igual. Até mesmo a Globo arriscou com Dancin' Days em 1978 e, mais adiante, foi ficando cada vez mais ousada. Era um curso intensivo de amor físico, mesclado a uma série de distúrbios de personalidade, caráter e sei lá mais o quê, sem limites. Fingiam acreditar que a criançada não estava assistindo e, depois, afirmavam tratar-se da realidade, levantando temas para discussão pública. 

O filão do IBOPE justificava tudo. Os que eram contra passavam imediatamente por hipócritas e retrógrados, até que se calaram diante do imponderável, afinal, tornou-se mais seguro silenciar.

Penso, então, que num país de dimensões continentais, com culturas específicas em cada região, com um analfabetismo gigantesco e abandonos sociais históricos, falar em discussões públicas só pode ser brincadeira. Sou levada a pensar que o que estamos vivenciando nos dias atuais é, tão somente, uma confusão de etapas culturais de valores e um atropelamento de etapas, absolutamente necessárias ao desenvolvimento físico e cognitivo dos indivíduos. Eles são arrastados por enxurradas modernistas que, por não terem base de real entendimento, desaguam em atitudes individuais e coletivas onde se pode tudo. Não se observa mais o que se deve, não apenas por uma questão moral ou ética, mas de segurança mínima, física e emocional.

Se não bastasse, o álcool e as drogas garantem a inconsciência, tornando tudo muito mais fácil e liberado. De repente, os corpos e as mentes femininas e masculinas se transformaram em penicos onde qualquer um defeca esperma ou neuroses, deixando para a proteção divina a salvaguarda de cada um.

Regina Carvalho-30.7.2026 Pedras Grandes SC

Ilustração- IA

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