Pois é, acordei pensando em mim e nos instantes que sempre valorizei. Não porque sou esquisita, mas porque compreendi ainda muito cedo o valor da existência através de cada um deles. Aí, naturalmente ao longo da vida, observando a mim e aos demais, a certeza da importância de cada um deles foi se consolidando.
Neste instante, percebo que meus dedos estão gelados de frio. Então, paro e, no instante seguinte, ligo o aquecedor esperando que nos instantes posteriores eles possam se aquecer.
Mas terei esses instantes seguintes?
Compreendem aonde quero chegar com este tema meio sem noção para ser abordado às cinco horas da manhã?
Eu e infinitos outros já acordamos, no entanto, quantos mais não acordarão?
A vulnerabilidade de nossas vidas é uma realidade, daí a importância em não desperdiçar um instante sequer. No entanto, não fazemos outra coisa além de ignorá-los. Não estou sugerindo que façamos do instante um machado afiado sempre pronto para nos degolar, todavia, conscientizarmo-nos de sua importância ajuda muitíssimo a cada um de nós em relação às perdas do precioso tempo com coisas e emoções absolutamente inúteis, sejam mentais ou materiais.
Um aroma inebriante, um toque acolhedor, um sorriso afetuoso, um silêncio providencial, enfim, tudo pode ser exercido num único instante que pode ser determinante tanto para o início quanto para o fim de absolutamente tudo em relação aos instantes seguintes.
Meus dedos esquentaram nos instantes que se seguiram, enquanto minha mente singrava pelas águas benditas da certeza de tê-los vivenciado. Isso é simplesmente maravilhoso, já que armazenam a esperança de continuar a tê-los nesta insegurança existencial que só existe para que não esqueçamos de que a vida é breve.
Tudo foi minuciosamente pensado pela criação divina, mas nós, os cada vez mais arrogantes espertos, ainda duvidamos ou, o que é pior, o questionamos e até o desconsideramos numa estupidez assustadora, mesmo tendo à nossa frente, e muitas vezes inseridos em nossos cotidianos, instantes de pura dor ou de mágico encantamento.
Encanto sem precedentes como o que neste instante se apresenta para mim, vindo lá de fora, mesmo sob o frio intenso. Afinal, ouço o canto de um pássaro bem próximo, o que me leva a pensar que este instante é precioso e que faz valer os instantes já vividos e os demais que ainda desejo viver, mesmo sem garantias, mas abastecida da saudável esperança.
Então, sorvo apaixonadamente como se este fosse o próprio Deus me oferecendo um bom dia e nada mais tem importância porque, afinal, este instante é inegociável.
BOM DIA e VIVA SANTO ANTÔNIO!!!!
Regina Carvalho — 13.06.2026 — Pedras Grandes, SC
Ilustração -IA

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