Pois é, depois de escrever um poema para o meu amigo Starita, que está lá pelas bandas da Macedônia, onde Jesus esqueceu as sandálias, em resposta a um seu delicado comentário que expressava a nossa fortíssima ligação de almas, imediatamente pensei nas pérolas. Elas são, sem qualquer dúvida, uma demonstração da existência de Deus e da semelhança que ele imprimiu em suas criações.
Afinal, se formos atentos, logo perceberemos que somos pérolas que a vida cultiva cuidadosamente, sem que nos deixe faltar insumos absolutamente naturais, como os benditos sentidos que regem nossas ações e reações em conformidade com nosso cérebro, senhor absoluto de um raciocínio pleno.
E assim ocorre com tudo mais que possamos identificar. No entanto, não sei por que, limitamo-nos a uma rotina fabricada por hábitos e costumes que chamamos de culturais e que estão em permanente choque, enquanto a vida segue o seu próprio rumo. Que desperdício!
Penso, então, nas sempre existentes duas escolhas que estão à disposição nesta nossa articulada mente e me pergunto: por que não agimos como os moluscos que, ao serem invadidos por um corpo estranho, optam por se defender liberando elementos existentes em si, a fim de neutralizar o invasor? Mas não...
Afinal, na maioria das vezes, de peito aberto como um guerreiro alucinado, o ser humano contra-ataca. E aí, mesmo que sobreviva ao combate, não consegue evitar as feridas que, mais que doerem, limitam e, em certos casos, impedem a formação da pérola da sabedoria, do aprendizado que faz brilhar qualquer corpo invadido, mesmo que o processo seja mais demorado que o desejado.
Penso, então, que nada foi por acaso nesta minha longa vida de molusco perdido num mar de incertezas. Afinal, permiti que os invasores fossem neutralizados, optando por transformar maldades e situações adversas em aprendizado, onde o ruim foi sendo esculpido e se transformando lentamente em pérola, na concha solitária que na realidade eu era, assim como cada um de nós.
Quando se observa os movimentos da natureza, nada passa batido na banalidade de qualquer vivência, já que se entende que tudo tem uma razão de ser no universo infinito de cada elemento da criação divina.
Portanto, nas muitas vezes em que me calei, aparentemente aceitando a perda e o abandono, nada mais fiz que optar por não confrontar o inevitável. Não por covardia ou acomodação, mas porque intuitivamente sentia que o melhor estava por vir.
E veio. E como tem vindo, lenta e gradativamente, em compensações impossíveis de serem descritas por serem brindes invisíveis, mas absolutamente sentidos por esta velha senhora e seu sorriso constante.
Lembro, então, que as flores só precisam de terra para brotar. Portanto, em qualquer brecha entre pedras, lá estão elas, vivas e coloridas, recebendo o sol e a chuva em suas fortalecidas existências.
Regina Carvalho, 12.6. 2026, Pedras Grandes, SC.
Ilustração- IAPois é, depois de escrever um poema para o meu amigo Starita, que está lá pelas bandas da Macedônia, onde Jesus esqueceu as sandálias, em resposta a um seu delicado comentário que expressava a nossa fortíssima ligação de almas, imediatamente pensei nas pérolas. Elas são, sem qualquer dúvida, uma demonstração da existência de Deus e da semelhança que ele imprimiu em suas criações.
Afinal, se formos atentos, logo perceberemos que somos pérolas que a vida cultiva cuidadosamente, sem que nos deixe faltar insumos absolutamente naturais, como os benditos sentidos que regem nossas ações e reações em conformidade com nosso cérebro, senhor absoluto de um raciocínio pleno.
E assim ocorre com tudo mais que possamos identificar. No entanto, não sei por que, limitamo-nos a uma rotina fabricada por hábitos e costumes que chamamos de culturais e que estão em permanente choque, enquanto a vida segue o seu próprio rumo. Que desperdício!
Penso, então, nas sempre existentes duas escolhas que estão à disposição nesta nossa articulada mente e me pergunto: por que não agimos como os moluscos que, ao serem invadidos por um corpo estranho, optam por se defender liberando elementos existentes em si, a fim de neutralizar o invasor? Mas não...
Afinal, na maioria das vezes, de peito aberto como um guerreiro alucinado, o ser humano contra-ataca. E aí, mesmo que sobreviva ao combate, não consegue evitar as feridas que, mais que doerem, limitam e, em certos casos, impedem a formação da pérola da sabedoria, do aprendizado que faz brilhar qualquer corpo invadido, mesmo que o processo seja mais demorado que o desejado.
Penso, então, que nada foi por acaso nesta minha longa vida de molusco perdido num mar de incertezas. Afinal, permiti que os invasores fossem neutralizados, optando por transformar maldades e situações adversas em aprendizado, onde o ruim foi sendo esculpido e se transformando lentamente em pérola, na concha solitária que na realidade eu era, assim como cada um de nós.
Quando se observa os movimentos da natureza, nada passa batido na banalidade de qualquer vivência, já que se entende que tudo tem uma razão de ser no universo infinito de cada elemento da criação divina.
Portanto, nas muitas vezes em que me calei, aparentemente aceitando a perda e o abandono, nada mais fiz que optar por não confrontar o inevitável. Não por covardia ou acomodação, mas porque intuitivamente sentia que o melhor estava por vir.
E veio. E como tem vindo, lenta e gradativamente, em compensações impossíveis de serem descritas por serem brindes invisíveis, mas absolutamente sentidos por esta velha senhora e seu sorriso constante.
Lembro, então, que as flores só precisam de terra para brotar. Portanto, em qualquer brecha entre pedras, lá estão elas, vivas e coloridas, recebendo o sol e a chuva em suas fortalecidas existências.
Regina Carvalho, 12.6. 2026, Pedras Grandes, SC.
Ilustração- IA

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