sexta-feira, 5 de junho de 2026

CONFESSO...

Pois é, acordei nesta sexta-feira sentindo uma saudade gostosa de um passado que escreveu a minha história e que, em flashes, adentra vez por outra em minha mente, na abusada intenção de me fazer reviver instantes fantásticos que as circunstâncias inesperadas ou buscadas me proporcionaram. 

Pessoas, lugares e situações incríveis que pude vivenciar e nas quais, sem qualquer cerimônia, me refestelei, fosse boa ou ruim a ocasião. Afinal, uma dava equilíbrio à outra, se bem que, na sua esmagadora maioria, reconheço que curti bastante.


Entre uma lembrança e outra, inevitavelmente a culpa dos reconhecidos erros sempre também está presente. Afinal, sempre existirá uma pontinha de dúvida quanto à validade dos mesmos, já que acredito que é sempre possível o diferente nas ações e reações.

Todavia, quem de verdade pensa que está errando nestes momentos corriqueiros da vivência? Afinal, agimos na maioria das vezes movidos pelos hábitos e aí, mais cedo ou mais tarde, lá vem a consciência cobrando só para nos fazer avaliar nossas condutas.

Pessoalmente, acredito que são essas lembranças, acompanhadas das avaliações, que nos proporcionam uma seara de aprendizados sobre nós mesmos e que são também capazes de nos fazer crescer em valores que determinam uma qualidade de vida que não necessariamente será igual à de qualquer outra pessoa.

É exatamente esta diferenciação que torna o ato de existir altamente interessante, ao ponto de unir os diferentes, mas jamais os contrários. Penso, então, que a culpa nem sempre vem acompanhada do arrependimento. Afinal, aos olhos críticos do sistema, ditador implacável da hipocrisia, quase sempre o contrariei e, cá para nós, não sinto qualquer arrependimento. 

Talvez um lampejo de culpa por trair as regras e decepcionar alguns, mas arrependimento jamais, já que, avaliando as circunstâncias em seus devidos momentos, utilizei-me dos recursos disponíveis então, faria exatamente igual tudo o que fiz.

Nossa, Regina, que coisa mais inadequada de se dizer! Seja pelo menos mais polida e se mostre mais humilde. Repasse em seus escritos o ideal e não esta realidade bruta de uma mulher que admite que, na maioria das vezes, pouco questionou e muito viveu, usando a bandeira do amor como porta-estandarte nas avenidas em que precisou desfilar.

É... Talvez eu esteja errada em ser e me mostrar tal como sou, mas fazer o quê, se não sei agir diferente?

Regina Carvalho — 5.6.2026 — Pedras Grandes, SC

Ilustração: IA

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