sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?


Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.

Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.

Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.

E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.

Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, apenas e tão somente esperava-se dele, competência de conhecimentos, didática aplicativa e mediação eficiente, entre o lógico e o humano.

O professor deveria ser o primeiro modelo externo de ética, decência, postura física e emocional, porque o primeiro exemplo interno consistia fosse nas figuras do pai e da mãe, donde a criança se espelhava, ainda que mantendo a sua singularidade.

Naturalmente que existiam os contra dentre os prós, não só das intensões quanto das aplicações, afinal, o homem em seu estado contínuo de evolução, jamais primou pela própria preservação, optando continuamente pela restauração, o que lhe tem acarretado retrocessos gigantescos e no mínimo um desperdício incalculável, seja com o próprio tempo vivencial, seja na qualidade deste mesmo tempo e se não bastasse, mantendo um desgoverno assustador entre si e o seu meio ambiente, contribuindo de forma devastadora para a morte prematura e quase sempre desnecessária de parceiros universais visíveis ou não visíveis, alterando assim as circunstâncias que o rodeia e infalivelmente se deixando afetar da forma mais absurdamente alienante, crendo-se quase sempre muito poderoso, senhor de si, senhor de tudo.

A família e a escola estiveram presentes na história da humanidade de formas variadas e nem sempre concomitantemente, mas em relação ao tempo a que me refiro, que talvez tenha se estendido até por volta dos anos 70, talvez um pouco mais, havia duas pistas que se seguiam paralelas com um único objetivo que era o de mediar o caminhar da criança ao seu rumo existencial, que era traçado por ela própria e subsidiado pelos pais e mestres.

Em algum momento, houve uma ruptura nos seios familiares e que se estendeu às salas das escolas, atingindo em cheio cada mestre educador, que, de uma hora para outra, se viu precisando subsidiar, amparar e educar a disciplina da postura comportamental, da qual não fora devidamente preparado, afinal ele era um professor de física ou matemática, português ou inglês, ser, portanto, pai e mãe, ultrapassava os seus conhecimentos e atribuições.

Enquanto isto ocorria, sua figura, dantes respeitada, foi pouco a pouco se deteriorando, afinal, ele, o mestre, distribuía cada vez mais exemplos de fracasso através da sua impossibilidade em administrar tantas responsabilidades.

O caos, então, foi-se fazendo presente com o reforço de um acentuado descrédito à figura do mestre educador, que passou a ser tão somente um técnico mal pago e desconsiderado pelos governantes que se seguiram, por pais confusos e alienados, por profissionais colaterais cada vez mais desqualificados, pela violência comunitária em volume cada vez mais crescente, por alunos sem qualquer parâmetro de respeito e civilidade, e por ele mesmo absolutamente desmotivado.

Enquanto isto, os programas inclusivos pedagógicos foram pipocando e se perdendo em meio a uma confusão de valores e critérios, resultando no que se vê hoje de distorções na grossa e maioria das escolas brasileiras, tendo como resultado final, profissionais cada vez menos qualificados na aplicação de suas disciplinas e alunos cada vez mais ignorantes ao término de seus cursos.

Perdeu-se a essência dos valores cognitivos em relação a si próprio e consequentemente ao outro e a tudo que o cerca, devastando a cada geração o sentido de convivência que mantém o ser humano, interagindo para que se alimente o seu desenvolvimento físico e emocional, restando criaturas solitárias, tristes, violentas e, acima de tudo, alienadas em relação à sua própria existência.

A reversão desta quebra de objetivos agregativos só poderá acontecer se houver uma força tarefa, aglutinada por grupos de criaturas cujas noções de civilidade ainda se encontrem ativas e dispostas ao enfrentamento da tarefa de buscar, não retorno de posturas e intenções, pois não haveria lógica, mas a criatividade em despertar no individual a noção respeitosa do coletivo, buscando a humanidade que certamente reside no eu de cada mestre e aluno que certamente serão os pais das famílias do amanhã.

Portanto, voltando às lembranças positivas do passado, acompanhando a jornada até o momento presente e voltando os olhos para um breve futuro, não vejo necessidade de grandes estudos investigativos quanto ao que houve nesta caminhada docente, assim como a familiar, por ser absolutamente óbvio todo o abandono e seus efeitos cruciais que ambos foram expostos nos últimos 40 e poucos anos.


Defendo a introdução nos currículos das academias formadoras de mestres educadores a disciplina de vida e liberdade para que cada professor saia da universidade com uma base pedagógica naturalista para que possa imprimir em suas opções disciplinares a bendita convivência que possui como motivação maior, o respeito à vida e tudo quanto nela exista, identificando-se as diferenças, apenas e tão somente para compreendê-las em suas particulares grandezas existenciais; seguimento único que garante limites e transcendêncais.



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domingo, 30 de outubro de 2011

NADA SINTO

Por todo o dia de hoje, o assunto foi o câncer do Lula e aí, penso que, afinal, feliz dele que, a partir de amanhã, começará o tratamento e, é claro, será o melhor que o poder e o dinheiro puderem pagar.
Pois é... enquanto isso, quantos outros nordestinos, tão pobres quanto ele quando por São Paulo desembarcou, neste exato momento, também portadores de algum tipo de câncer, sequer conseguem marcar uma sessão de quimioterapia e sequer se dão conta pela simploriedade de suas existências miseráveis que foi justo o Lula que, por décadas a fio, jurou com microfones em punho, providenciar saúde de qualidade ao sofrido que nele passou a acreditar.
Ao invés disto, garantiu a esmola  que cala e consente, que sufoca e neutraliza.
Que coisa!...
Penso então no quanto como brasileira e cidadã descrente, nada sinto, além de um enorme tédio.



sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Mensagem


E como uma flecha afiada, corto os céus, atravesso as nuvens, me aproximo das estrelas, aqueço-me junto ao sol.

E como uma flecha afiada, desço do espaço, atinjo a terra, apenas para senti-la na diversidade energética, na complexidade amorosa, no apogeu de tão somente ser.

E como uma flecha, já não tão afiada, busco repouso junto ao mar; busco paixão junto às florestas, busco o amor, olhando pro céu.

Incoerência, pois como flecha afiada que vem justo de lá. Como flecha afiada, cortei os céus e vim por aqui pousar, buscando por um amor que certamente não encontrei por lá, nem cá e tão pouco acolá.

Como poeta sempre fui um fracasso, mas e daí?

Ainda assim faço meus arremedos e, dessa forma, também estremeço com minhas próprias emoções.

Melhor mesmo é não ser um disfarce, uma cópia ou uma página sem escritos. Então, mesmo sendo um fracasso, faço aqui e ali meus arremedos poéticos e, de alguma forma, crio formas com minha alma que, mesmo como uma flecha afiada, percorre o imaginário, o real, o tangível do meu sentir.

Em parceria com:
Carlos Frederico Siemanfield

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Espanto


Os sabiás, neste fim de tarde, estão abusadíssimos, com suas cantorias e voos agitados, balançando galhos, sacudindo folhas, emociono-me.

Será que cantam tão alegremente porque hoje não choveu e o sol, mesmo ainda tímido, permanece constante, permitindo que eles sequem as asas e saiam de seus ninhos?  Talvez...

O pé de amoras, carregadinho, serve de refeitório farto para os meus meninos e eu, daqui, debruçada à janela, ouço seus cantos e voo com eles, sem qualquer cerimônia, tal qual eles, que abusados, dominam meu jardim, meus ouvidos, minha alma.

Penso, então, que devo ter sido um pássaro, talvez até mesmo uma sabiá, arisca e arruaceira, que buscava doces amoras em jardins da vizinhança e, quem sabe, um outro alguém a quem também encantei, debruçava-se à janela e até emocionava-se, tal qual acontece agora com as lágrimas que escorrem deste meu ser apaixonado por pássaros, que cantam  causando-me um novo espanto.

Em parceria com:


R
uth Sorocaba Martins – Ipiúna


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Ou coisa que o valha!


imagem: topicos.estadao.com.br

Ontem à noite, diante da televisão, revi um dos maiores músicos e compositores contemporâneos chamado César Camargo Mariano.

Bem... de imediato não o reconheci, afinal, vinte, trinta anos se passaram, ele também sempre foi discreto, pouco aparecia na mídia e respeitou a passagem do tempo, ao contrário de outros com os quais nos acostumamos, inclusive com as suas constantes alterações fisionômicas, como os eternos meninos sertanejos e tantos outros de diferentes gêneros que se recusam a aceitar a velhice como suas realidades e arrancando de nós surpresas constantes em suas aparições, levando-nos, vez por outra, a lamentar não termos, também, coragem de retardar nem que seja um pouquinho esta senhora “passagem do tempo”, talvez porque vivamos a cruel realidade de que, afinal, não haja bisturi mágico que de verdade possa frear o tempo em sua caminhada.

Ah! Como gostaria de poder me iludir, tal qual faz a nossa Aninha Braga, cujo próprio tempo parou quando ela começou na Record, e olha que isto tem uma eternidade.

Pois é, penso então na incoerência que imprimimos nas nossas posturas ao recusarmos aceitar, como nossa, a senhora velhice, provando ao mundo, mas principalmente a nós mesmos, que “velho é a mãe”, pois como os jovens e às vezes, cá pra nós, melhor que eles, estamos nas corridas matinais, nas academias e maratonas, disputamos disposição em qualquer que seja o esporte, frequentamos a mesma night, bebemos, fumamos e coisitas mais, e na hora do namoro, até dispensamos os velhinhos, dando preferência aos gatos ou gatinhas e até com os custos adicionais. Voltamos para as universidades e ao mercado de trabalho, subimos nos palanques e nos tornamos presidentes, dirigimos empresas e até conglomerados de quaisquer naturezas, nos gabamos de possuir outra distinta senhora que é justo a “sabedoria” e nem nos preocupamos com o excesso de bagagem (experiência) que acumulamos vida afora, e se não bastasse, ainda resistimos à morte, prolongando nossas vidas, mantendo nossas mentes e físicos pra lá de saudáveis enquanto estarrecidos vemos os jovens morrerem sem dó e sem piedade.

Pois bem, a incoerência reside, pois apesar de sermos capazes de tudo e muito mais, brigamos na fila do banco, do açougue, do armazém para ganhar a preferência, afinal, somos idosos, respeito é bom e gostamos.

O que me leva a concluir que velhice, afinal, vale para alguma coisa que nos convém, pois nesses momentos corriqueiros do cotidiano, qualquer um faz questão de ser velho, não se importando com as aparências. 
Mas sempre, é claro, existem as exceções!

Estou certa ou estou errada?


Não que eu esteja velha ou coisa que o valha! Rsrsrs



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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Gotinhas do Céu


Estou aqui, aparentemente sozinha, ouvindo meus pássaros que se esbaldam no jardim enquanto, seja por hábito, ou por puro prazer, penso à respeito um pouco de tudo que me chamou a atenção nos últimos dias.
Bem... já escrevi sobre a movimentação política e pelo que me consta, hoje é a finalização quanto às opções partidárias, o que não necessariamente, manterá fidelidade em alguns caráteres, digamos, pra lá de duvidosos.

Como só sei, tratando-se de política, pensar e escrever sobre idéias e ideais, reconhecendo que, afinal, estas tendências fazem de mim uma “tremenda panaca” aos olhos e intenções dos, digamos, bam-bam-bans do assunto. E olha que são muitos os entendidos e suficientemente realistas, que geralmente desconsideram esta senhorinha simplória que, clama por uma educação mais decente, uma saúde mais humana e um social mais digno.

Qual verdadeiro político, se preocupa com isto, não é mesmo?

Afinal, o povo é que se exploda, claro, depois de votar.

Nós, o povo, somos uma cambada de chatos, tão insuportáveis que nem o Lula conseguiu permanecer como “fiel companheiro”, pois, rapidinho se bandeou para a ala dos “bem sucedidos”.

E ele está errado? Deixemos de hipocrisia... se der ao povo dinheiro e poder, logo fica igualzinho o vizinho das “elites”, Quem não gosta do luxo?

Olhem ao redor e digam se estou delirando.

Se deixar, fico até amanhã escrevendo sobre o que chamam de política, se bem que a meu ver, não passa de uma formação de quadrilha, sem no entanto, ser tão organizada, quanto o crime organizado. Ou será que eu é que estou por fora?

É, acho que estou mesmo por fora, afinal, tudo dá certo, tudo se cruza, todas as instituições estão ligadas sem que haja qualquer fio aparente.

O tal “bem político”, caiu em desuso, fala-se tão somente em articulações, os territórios, se invadidos pelos adversários, detonam disputas acirradas, faltando atualmente, apenas as metralhadoras, usadas no passado. 

Quem já não ouviu falar sobre a década de 30 e nos mafiosos como Al Capone, Luck Luciano, Tom 

Mazino e tantos outros que antecederam aos políticos atuais. Refinou-se as negociações e retaliações, mas as intenções, acreditem, são as mesmas.

Que coisa hein!?
Em tempos passados, pensei ingenuamente que, quando os coronéis morressem, seus filhos e netos optariam por condutas mais ortodoxas. Qual nada! A meninada ao contrário foi ficando mais refinada e, portanto, camuflada, o que a priori, induz aos enganos.

Pois bem... concordo que eu já não tenho ilusões, mas ainda resisto resguardando gotinhas de esperanças e é por isto que eu e tantos mais permanecemos com as bacias nas mãos, voltada pro céu. De repente, de lá caia chuviscos de vergonha, honradez e responsabilidade pública para que eu e os tantos mais, “babacas” contumazes, possamos ver aplicado na prática, e não apenas nos nossos sonhos cotidianos, transformando-os em milagres localizados, matando a fome da miséria, oferecendo uma chama de luz à ignorância, assim como um elixir que revigore à saúde. Coisas da

Dona Regina!!! Vai que um dia acontece?!?!?
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Motim Escolar


Quando se testemunha um motim de alunos, provocado por uma desavença de ordem administrativa entre seu Diretor de unidade escolar e o secretário da educação do município que vem se arrastando a meses, refletindo diretamente na qualidade dos serviços profissionais, assim como no estabelecimento de critérios de disciplina dos alunos, esperar-se mais o quê, além do lamentável episódio que culminou em tiros, quebra-quebra, destruição, desde as janelas externas até salas e Biblioteca, em uma ação de vandalismo e consequente desrespeito, não só à escola, mas à sociedade como um todo.

Nada, absolutamente nada, pode justificar as posturas que levaram os alunos a agirem desta forma, mas explica, uma vez que, em meio aos interesses sejam pessoais ou políticos, o que menos foi considerado foram justamente os alunos que demonstraram, ao vivo e a cores, o que absorveram de ensinamentos extra didáticos.

É preciso que se “acorde” rapidamente para este horror perante aos céus que é a violência, resultado do abandono social do qual as criaturas estão sendo mantidas, seja nos grandes centros urbanos e até mesmo em redutos tão pequenos, onde de uma forma ou de outra, as pessoas se conhecem e deveriam pelo menos respeitarem-se, assim como as suas instituições.

Quando comete-se o erro gritante de colocar no mesmo ambiente, crianças de 11, 12 anos, dividindo espaços com jovens de 17 a 21 anos, notoriamente já marginalizados pelo sistema, esperar-se o quê, além de um aliciamento constante e uma desordem sem precedentes.

Quando se mantém, seja lá por qual motivo, profissionais descontentes ou que não comungam com as regras estabelecidas que deveriam ser, antes de tudo, o de respeitar os direitos das crianças e dos adolescentes, sem, no entanto, confundir-se no dia a dia com parcimônia e excessiva tolerância, esperar mais o quê, além da violência explicitada, como retorno comportamental.

Penso, então, que melhor seria que ainda vivêssemos como vivem as tribos indígenas, porque afinal, em seus redutos, respeita-se as hierarquias, a sabedoria dos mais velhos, as riquezas naturais que os cercam, a preservação de suas culturas, assim como protege-se o próprio território, fazendo dele o seu bem maior, depois da própria vida.

E nós é que somos civilizados? E nós é que somos evoluídos?

Existirá civilidade e senso evolutivo onde o respeito, a dignidade e o bem comum não sobrevive em uma escolinha de cidade do interior onde todos são vizinhos e onde deveria residir a paz e a solidariedade?

Pensem nisso!


Juarez Machado – Professor de Matemática



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