sexta-feira, 21 de agosto de 2026

ÍNTIMO CHAMEGO

Tem dias que tudo dá certo até mesmo no nosso acordar, quando nos parece gostoso espreguiçar, colocando a mente em consonância com o corpo, numa preguicinha leve e gostosa que, na realidade, é uma poderosa carícia pessoal. Nesses momentos, é o corpo que está pedindo respeito e aí, o ideal é ficar mais uns minutinhos embalando a si mesmo e, depois, levantar sem pressa, sem afrontar estes momentos iniciais do corpo e da mente. 

Incrível, mas se bem observado, esta carícia cognitiva se arrasta ao longo do dia, tornando-o mais produtivo, mesmo em meio a muitos tropeços pessoais e profissionais, já que se está mais harmonioso e lúcido para desembaraçar este ou aquele problema, que, aliás, sempre existirá.


Ainda mais interessante é que, automaticamente, seu cérebro passa a funcionar com mais compreensão e não tão somente de forma associativa, ou seja: comparando a pessoa ou uma situação com os dados previamente armazenados no próprio “HD pessoal”, geralmente viciado, já que o bom e o ruim, assim como o certo e o errado, se encontram numa espécie de arquivo previamente estabelecido e, então, de forma imediata processa-se a comparação. 

São predefinições perigosas que podem nos levar a enganos, já que é necessário um considerável tempinho para que se amplie um real e mais palpável entendimento, seja lá do que for. Afinal, já dei com os burros n’água ao avaliar negativamente uma pessoa, sem nem ao menos ter com ela um dedinho de prosa e, ao ter a oportunidade de interagir, surpreender-me enormemente com a empatia que se estabeleceu.

Pois é. Quando se está com a mente e as emoções em conformidade com o corpo, num clima de parceria, o mundo e suas convivências com certeza se tornam mais coerentes com as especificidades das realidades, já que nem tudo e nem todos aparentam o que realmente são. 

Penso, então, que a pressa e as violações dos ritmos pessoais são os maiores e mais perigosos indutores dos preconceitos, tornando-nos avaliadores sem causas lógicas que justifiquem ou que possam fazer jus a um julgamento mais sensato e com certeza bem menos ignorante em relação às realidades que nem sempre estão de imediato acesso.

E aí, como somos energias e estas se propagam, na maioria das vezes, deixamos de interagir com pessoas incríveis, mesmo que, à primeira vista, nosso santo não tenha batido com o delas. Pessoalmente, gosto de ir mais além, confessando sem pudores que ao longo da vida fui colecionando os improváveis que com certeza enriqueceram a minha vida. 

Na contabilidade final de cada dia tudo é ganho, se deixarmos de lado os velhos e corroídos preconceitos, afinal, até quando constatamos o ruim e o desagradável, algo se aprende de inestimável valor.

Daí, quando nos espreguiçamos também em pequenos intervalos ao longo do dia, num chamego pessoal, tornamo-nos menos abusivos e afrontosos, atraindo em maior abundância aquelas energias que estejam compatíveis com a nossa leveza pessoal. Lembro neste instante do ensinamento de Jesus em Mateus 7:1-5: "Não julguem, para que vocês não sejam julgados". Ele explica que a medida e o critério usados para apontar os erros dos outros serão os mesmos aplicados a nós, criticando a hipocrisia de quem foca no pequeno cisco no olho do irmão enquanto ignora uma grande trave no próprio olho." 

Simples assim.

Regina Carvalho- 21.08.2026 Pedras Grandes SC

Ilustração- IA

Nenhum comentário:

Postar um comentário

ÍNTIMO CHAMEGO

Tem dias que tudo dá certo até mesmo no nosso acordar, quando nos parece gostoso espreguiçar, colocando a mente em consonância com o corpo, ...