São nove horas deste domingo friorento e só agora me decidi a escrever sobre um comentário que li em determinada postagem, onde havia o relato de tiros ouvidos na Praça do Mercado, em Itaparica.
De um lado, a narrativa associando o fato ao desastroso governo petista, generalizando a sua responsabilidade. Do outro, uma defesa para lá de incompreensível, já que ressalta o pouco senso de segurança pessoal quando afirma: “Ou aceita ou surta”. É como se, por ser petista, a pessoa estivesse isenta de ser alvo da violência que, infelizmente, há muito assola a nossa bendita Itaparica. É possível observar que há uma total falta de senso de segurança à população.
A violência foi banalizada, colocada na rotina como se fosse algo absolutamente normal e altamente aceitável. Estes efeitos partidários, tanto de acusação genérica como de defesa esdrúxula, se propagam e se repetem a cada ano eleitoral. Isso explica, em grande parte, a continuidade crescente deste e de muitos outros problemas, já que o bom senso de atitudes em prol da população se perde no jogo de palavras, sem que haja qualquer lógica social e, muito menos, humana.
Aí, de camarote, os líderes partidários e seus aliados aplaudem, satisfeitos com os desempenhos, sem no entanto pensarem, nem por um instante, nas consequências. Afinal, a manutenção ou a conquista do poder é tudo quanto almejam.
Onde estão as discussões políticas partidárias onde propostas eram oferecidas em forma de esclarecimento?
Entendo, mas jamais compreenderei a pressa da instantaneidade em trocar insultos e acusações sem argumentações consistentes, misturas altamente explosivas sem nada que se possa aproveitar em benefício real da população.
Aplaudir a criminalidade é o mesmo que aliar-se a ela. Da mesma forma, garantir o extermínio da mesma sem maiores explicações de como e quando é chover no molhado, enganando mais uma vez os cidadãos.
Os mais sensíveis, que vivem em meio a ela, acabam crendo que a vida é assim mesmo, cansados da mesma cantilena. Para muitos, valem mais os trocados que lhes são oferecidos na boca da urna, que são reais e consistentes, ou a pressão dos chefes da criminalidade que, geralmente, estão afinados aos poderes em questão.
Aí ouço: “Todo político rouba, então, fico com o ladrão que saiu da minha comunidade”.
O que explica a continuidade daqueles que, eleição após eleição, permanecem inalterados nos tronos dos abusivos, em nome de uma tal DEMOCRACIA que, cruz-credo, só se for nos quintos dos infernos.
Regina Carvalho, 23.08.2026 – Pedras Grandes, SC.
Ilustração- IA
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