A conclusão é simples diante da pouca produção que venho apresentando nos últimos tempos, nos quais, pessoalmente, precisei adaptar-me a um novo clima que, por esta banda do sul do país, geralmente é frio.
E aí, são oito horas desta manhã ensolarada, mas ainda assim muito fria, a ponto de endurecer os meus dedos que, teimosos, insistem em dedilhar as teclas do notebook. Vez por outra, esfrego uma mão na outra na busca frenética de produzir uma quentura que seja capaz de me deixar continuar nesta tarefa que, para mim, é um ofício necessário ao meu equilíbrio pessoal.
Enquanto isso, ouço músicas de gêneros diferentes e, de vez em quando, desvio o olhar somente para apreciar a paisagem linda que se exibe lá fora. Busco, com certeza, um reforço de inspiração. Não só pelo saudável hábito no qual confesso que me viciei, como também tentando pinçar, neste céu lindo, um pouco de entusiasmo a fim de me ajudar a conter a ansiedade que estou sentindo, só em pensar que em breve vou reencontrar a minha paixão que deixei pelas bandas da Bahia, onde o sol aquece mais que a pele, já que aquece principalmente a alma.
Enquanto penso no reencontro com a minha amada Itaparica, alivio-me do frio e até me sinto boiando, displicentemente, nas águas mornas e mansas das praias encantadas que por lá existem. E, se não bastasse, delicio-me com as carnudas mangas-rosas do meu quintal que deixei por lá. Sou até capaz de ouvir os pássaros orquestrando as sinfonias das manhãs e dos finais das tardes, tendo o atrevido sabiá disputando com o bem-te-vi o protagonismo vocal.
Pois é, ainda bem que meu passaporte está sempre em dia e, assim, posso viajar através das lembranças para onde o frio não é capaz de me alcançar.
Regina Carvalho- 18.10.2026 Pedras Grandes SC
Ilustração-IA
Nenhum comentário:
Postar um comentário