sexta-feira, 2 de outubro de 2026

COM O PIREX NA MÃO

Depois de um final de dia altamente decepcionante, no qual pude assistir à mais ofensivas agressões ao povo brasileiro, confesso que acordei convicta de que estamos todos em meio a um caldeirão fervente de sério perigo. 

Refiro-me ao momento em que, num golpe institucional envolvendo as altas cortes brasileiras e tantas outras instâncias que se mantiveram submissas ou em farto acordo, calaram-se diante da suspensão de um debate político entre os candidatos à presidência da nação. Diante disso, o absurdo atinge o clímax do abuso e do esmagamento do certo em favor incondicional do mal.


Como uma cidadã mais uma vez violada em valores impostos por uma ditadura travestida de democracia, olho para o céu e rogo a Deus proteção ao meu Brasil e a cada cidadão, esteja ele de que lado for, pois todos estão a um passo de perder a autonomia em definitivo. 

Nasci e cresci em um país confuso entre ditaduras, presidencialismo e governos ligados umbilicalmente a estes. Pelo andar da carruagem, continuaremos assim de uma forma ou de outra, já que o DNA do povo brasileiro é altamente aberto a negociações, deixando, portanto, qualquer idealismo de cidadania frustrado de alguma forma.

Pelo que se pode observar na sequência dos movimentos políticos desde a era Getulista, optamos por permitir que um velho modelo da década de trinta voltasse. Desta vez, com a experiência da esquerda em relação às forças armadas que já a haviam traído no passado, tratou-se de dar a elas o protagonismo ostensivo de guardiãs da nação através do aliciamento de algumas figuras do mais alto comando. 

Da mesma forma, garantiu-se duas cabeças aliadas no Congresso e o aparelhamento do STF, aliás, seus mais poderosos aliados. Para arrematar, silenciaram os princípios sagrados da comunicação a fim de tê-la presa através dos recursos públicos, que imediatamente se tornaram moeda de troca, comprometendo e dividindo com força total a opinião pública em todos os níveis. Portanto, deram aos césares o que eles achavam que mereciam em troca de seus favores e de sua total conivência, inclusive afastando de uma forma ou de outra todo e qualquer opositor.

Do meu ponto de vista de cidadã neófita quanto aos detalhes sórdidos do que chamam de governança democrática, mas conhecedora desta epidemia da sequência repetitiva de posturas políticas nacionais, assim como das falcatruas exercidas pelos seus personagens em todas as esferas, recolho-me à insignificância de quem sequer precisa mais ir às urnas devido à idade. Prefiro curtir a beleza da vida enquanto espero poetizando a morte física chegar, pois ela é a única certeza que me resta neste país de mentes que votam através do convencimento narrativo que mais lhes convém. Comem gato por lebre sem sequer buscarem conhecer a história de sua nação nos seus caminhos tortuosos, aceitando ciscar a ração de alpiste que lhes é jogada, sem reconhecer a miséria da violência física e da escassez moral e ética na qual estão inseridos. Somos um povo sem entendimento pátrio e sem dignidade individual, já que, dos tostões aos milhões, está sempre com o pirex na mão. Então, para mim já deu. Creio, como a maioria, que só mesmo Jesus na causa, mas parece que nem ele aguenta mais esse tsunami ininterrupto de indecências nacionais.

Regina Carvalho-2.10.2026 Pedras Grandes - SC

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