Nós estamos acordando da inércia, da alienação e do desconhecimento das nossas realidades pátrias e humanas. Quem me acompanha nessas quase duas décadas de rede social, ou pessoalmente ao longo da vida, nas minhas lidas profissionais e pessoais, bem sabe o quanto sou ligada na política de meu país. Alguns presenciaram o meu empenho em apoiar este ou aquele candidato, fosse ele quem fosse, assim como alguns testemunharam, in loco, o quanto fui capaz de mudar de opinião caso os meus escolhidos deixassem de cumprir o que deles eu esperasse, principalmente no quesito ética pública, princípio básico para um líder não fugir do bem comum.
Conhecedora dos bastidores políticos desde a década de setenta, tive a oportunidade de conhecer políticos honrados, assim como a escória da humanidade. Essa minha vivência profissional e pessoal serviu-me de escola, exigindo de mim atenção e discernimento. Daí, ao longo da vida, optei pela área do conhecimento humano. Com o tempo, fui me estruturando com princípios inalienáveis, adentrei na faculdade prática das convivências e, para tanto, busquei referências históricas dos grandes pensadores da humanidade e das figuras representativas da história do meu Brasil. E assim fui me diplomando com muitas dificuldades, pois o curso existencial é extremamente difícil e complexo, exigindo dedicação integral, renúncia aos possíveis privilégios e força psíquica a fim de superar as infinitas decepções. Já que neste campo, que é determinante para tudo o que se refere à vida cotidiana, o ser humano, suas ações e principalmente reações precisam de atenção redobrada, não permitindo a perda do foco do cerne de qualquer questão a um discente dedicado.
Pois é, acabei a duras penas me formando, mestrando e doutorando no difícil curso de existir e amar. Isso me qualifica para afirmar que uma pátria não evolui nas principais áreas, que são a econômica e a humana, com narrativas e assistencialismos, e sim com precisão e humanização. Os princípios fundamentais que regem o equilíbrio de qualquer ação precisam estar aliados ao oferecimento de portas e janelas de oportunidades ao povo, para que cada cidadão se torne um guardião da sua própria vida, meritoriamente adquirida através do seu estudo, trabalho e autoestima para obter sucesso.
Sempre, em qualquer civilização, uns caminharão mais rápido e com maior crescimento pessoal, até porque cada ser humano é diferente em seu modo de enxergar a si e ao seu mundo, mas todos precisam ter consciência do amparo sólido que está à sua disposição. Inadmissível para mim sempre foi pensar que os personagens dominantes da política de meu país recebam privilégios surreais a qualquer bom senso avaliativo, enquanto a maioria do povo precise de constantes programas assistenciais para simplesmente não morrer de fome. Assim como pagar a um jovem para simplesmente ir estudar no ensino fundamental, ou aceitar que bandidos imponham uma governança paralela ao controle das cidades, amparados por gestores engravatados do Congresso, dos estados, da justiça, das polícias e de cada Prefeitura deste país continental onde jamais faltou riqueza e solo fértil.
Portanto, fora o PT e seus aliados, assim como gritarei fora a qualquer outro partido ou político que não honre a glória de estar no poder do meu Brasil e de promover a liberdade das conquistas pessoais, transformando cidadãos saudáveis em reféns molambentos de migalhas, descaracterizando os devidos e altamente necessários amparos emergenciais. Votei no 22 e nos seus aliados não porque espero deles santidade ou milagres, mas porque representam mudança neste cenário vergonhosamente pobre, medíocre e viciante em que nos encontramos. Não me sinto da direita e nem da esquerda, mas sim uma cidadã que compreende que decência, coerência e humanidade precisam caminhar juntas em qualquer processo humano e que mudar quantas vezes for necessário é a única opção onde a mentira, as roubalheiras, a violência e os privilégios tornaram-se barganhas institucionalizadas.
A pergunta que deixo no ar é a seguinte: será que a maioria dos cidadãos do país está errada e só os do Nordeste são os únicos certos?
Regina Carvalho, 9 de outubro de 2026, Pedras Grandes, SC.
Ilustração- IA
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