É ou não é a forma com que conduzimos nossas escolhas e opiniões? Pense bem antes de retrucar com narrativas empolgantes, mas sem teor de veracidade. Em última análise, cale-se e reflita sem, no entanto, me oferecer a ousadia de sua concordância.
Essa é uma característica humana que se acentua em determinados locais deste mundo de meu Deus, onde a miséria de quase todos os aspectos se destaca, formando uma barreira espessa e intransponível a qualquer evolução, independentemente do nível intelectual de cada envolvido. Afinal, querer se dar bem nisto ou naquilo estimula uma busca frenética e irracional, permitindo ao indivíduo dançar conforme a música.
Assim, como regra geral, o desejo de se dar bem, neste ou naquele aspecto, passa a ser referência para outros, formando aos poucos uma cultura regionalizada que aparenta exatamente o contrário da ideal coerência, ou seja: trapaceio, mas espero honestidade; agrido, mas anseio por segurança; uso e abuso, mesmo que veladamente, dos que me servem, mas pago dízimos e oferendas a um Deus, santos ou orixás que me servem de escudo de consciência.
E desta forma vamos seguindo a nossa curta viagem terrena, cultivando uma aliança de parcerias que não satisfaz a mente e muito menos a alma. Além disso, não temos estofo para aguentar as consequências e, por falta de uma terceira opção para a qual possamos lançar a culpa de nossas inquietações emocionais e falências sentimentais, já que nos parece impossível admitir a nossa contínua infidelidade pessoal ao que verdadeiramente sabemos que precisamos, acomodamo-nos.
Então, voltamos ao ponto de partida num círculo vicioso dolorido, esperando um milagre que nos salve, esperando um amanhã que nunca chega.
Fazer o que mais, se viver é assim mesmo?
Regina Carvalho, 26.09.2026 – Pedras Grandes, SC
Ilustração - IA
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