Enquanto escrevo, posso admirar, ao mesmo tempo, algumas colinas que se apresentam como uma elevação natural do terreno das fazendas vizinhas, com baixas, mas alternadas altitudes e encostas com inclinações suaves, tudinho coberto de vegetação fechada.
E aí, diariamente me esbaldo, deixando minha mente enveredar como uma alpinista sem arfar de cansaço, afinal, o corpo envelhece, mas a mente e a alma jamais. Penso então na inocência da criança que fui, na pressa adolescente e abusada de tudo querer viver, na mulher amadurecida antes mesmo de clarear a maturidade e no meu agora envelhecimento, e então penso admirada: Não foi que eu consegui!
Infinitas colinas precisei subir, fora os desertos que encarei medrosa, mas confiante de que conseguiria. E no frigir dos ovos de centenas de amanheceres de cada ano, cá estou, ainda criança, resguardando se não a inocência, mas certamente a doçura de não ter traído a mim mesma.
O sol há muito escondido finalmente ilumina as copas das árvores, refletindo-se em meus olhos e na minha incansável vontade de viver.
Regina Carvalho- 20.9.2026 Pedras Grandes SC
Ilustração- IA
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