sexta-feira, 4 de setembro de 2026

FALTA APENAS UM MÊS...

Daqui a exatamente um mês estaremos, se não todos, pelo menos a grande maioria dos cidadãos, indo às seções eleitorais próximas aos nossos domicílios a fim de escolhermos os nossos próximos representantes constitucionais. 

Espanta-me ainda ouvir alegações de repúdio aos candidatos como justificativa para apoiar a continuidade deste governo atual, ridiculamente afrontoso no cinismo, na forma como trata os desvios públicos e na proteção de seus aliados, alegando não haver alternativas melhores. 


Essa atitude demonstra, sem véus de disfarce, o quanto ainda estamos anestesiados ou simplesmente medrosos em perder os nossos benefícios pessoais ou em demonstrar alternativas diante da conscientização de que nada pode ser pior do que já se tem e que qualquer que seja a mudança, com certeza, não poderá ser mais desastrosa.

Sinto que, durante tempo demais, fomos deixando a nossa nação navegar em águas tranquilas, fosse por acomodação ou mesmo por qualquer esperança de que houvesse algo melhor que pudesse colocar o Brasil onde verdadeiramente ele merecesse estar, fosse internamente ou frente aos demais países, já que é abundantemente rico e próspero, além de possuir quase tudo o que falta aos demais mundo afora, começando pelo espaço territorial, água, floresta e etc...

Eu poderia ficar escrevendo laudas infindáveis sobre os recursos de todas as naturezas que jamais nos faltaram, assim como em relação ao atraso, à fome e a demais misérias que assolam sob o disfarce de pátria educadora e outros aspectos que se apresentam como políticas sociais que nada mais são que balangandãs que fazem barulho e enfeitam, mas que apenas enganam, já que a pobreza só aumenta, assim como tudo mais de básico, começando com um salário mínimo ridículo e perverso, enquanto quem o recebe ainda defende os seus algozes.

Esse assombroso comportamento confundiu a lógica e a razão, o certo e o errado, o bem e o mal que deveriam ser norteadores, permeando as mentes de qualquer cidadão, levando-o a respeitar-se acima de tudo no seu sagrado direito de viver com dignidade e não tão somente ser submisso a um regime escravagista que o sufoca e lhe tira o direito de pensar e avaliar com, no mínimo, o bom senso em reconhecer que poderia estar melhor se não houvesse tantos desaforados roubos e privilégios.

O próximo, seja quem for, fará o mesmo? Creio que bem menos, pois saberá que o povo acordou e foi capaz de derrotar seu algoz, e que daqui para frente tudo precisa ser diferente ou, pelo menos, bem menos danoso. 

Os balangandãs educacionais despejam nas ruas jovens mal estruturados que se tornam pífios profissionais, isso quando conseguem emprego condizente com os seus diplomas, mas, com certeza, ferrenhos soldados da continuidade da miséria institucional, desconhecendo os básicos princípios do que seja honradez e bem comum.

Nunca nos meus tantos anos de vida constatei no meu Brasil tanta ignorância educacional, tanta violência, tanta fome e, acima de tudo, tanta desonestidade e falta de ética pessoal e pública, como se o cotidiano só servisse para enganar, seja no que for, numa busca frenética em se dar bem. 

Há um número expressivo de apoiadores do caos e isso é assustador. Penso, então, que se dantes havia pelo menos a esperança de dias melhores, hoje as trevas são opções aos cegos e aniquilados, seja em qual aspecto se encontrem na seara social, uns porque se acham espertos e outros por crerem que a vida é assim.

Os meios escusos não podem e não devem justificar o fim, seja lá do que for.

Regina Carvalho, 4 de setembro de 2026, Pedras Grandes, SC.

Ilustração IA

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