Desde sempre foi assim que me pautei, não por inconsequência, mas por compreender que muitos costumes, ações e reações não faziam sentido diante do que eu enxergava e sentia.
E então… pau na Regininha.
Desde cedo, isso ficou evidente. Ainda mais porque me era absolutamente nítido o comportamento das pessoas, muitas vezes conscientes das reações que provocavam, dependendo da qualidade de suas atuações.
Que pessoa é essa que enxerga as convivências de forma tão crua, sem qualquer polimento?
Pois é exatamente sobre isso que escrevo.
Sempre fui capaz de perceber as potencialidades e o tanto de perfeição existente em cada ser humano, seja no campo físico, psicológico, mental ou emocional. Isso partia de mim e retornava a mim como fonte constante de investigação.
Nunca compreendi o pouco uso do muito que existe.
A racionalidade humana, muitas vezes, recusa-se a encarar o todo. E, quando encara, prefere fragmentar-se, escolhendo apenas partes, deixando o restante abandonado.
E assim, o ser humano segue capenga, distante de sua plenitude.
Por que sou assim? Por que ajo assim?
Ao longo da vida, em meio aos desafios cotidianos, nunca deixei de buscar respostas. E, aos poucos, elas foram surgindo, tímidas, mas reveladoras.
Nos últimos anos, ao me afastar de certos movimentos da vida sistêmica, algo começou a clarear dentro de mim.
E, por intuição, Itaparica tornou-se o refúgio ideal.
Lá, entre pássaros, borboletas, frutas e escritos, fui presenteada com o bailado das árvores, o farfalhar dos coqueiros, as brisas suaves e os aromas intensos da vida pulsando em cada detalhe.
Foi nesse cenário que comecei a compreender.
Os traços que me desenharam na infância e na adolescência foram determinantes. Como para todos são. A diferença está na atenção.
Alguns captam. Outros deixam passar.
Somos diferentes no perceber e no interpretar.
E eu… sempre quis sentir mais.
Furei o sol com minhas retinas para compreender seu calor. Provei o sal do mar para entender o equilíbrio dos sabores. Deixei o impacto das ondas ferir meus ouvidos para compreender a dor e o molde dos hábitos repetitivos.
Era inevitável que, em alguns momentos, confundisse gato com lebre.
Mas, ainda assim, havia aprendizado.
Dei a César o que era de César, muitas vezes para preservar distâncias seguras diante de egos inflados, vaidades e indiferenças, armas amplamente distribuídas nessa complexa mistura humana que atravessa classes, cores, crenças e papéis sociais.
E assim, fui acumulando experiências.
Muitas doeram.
Mas não me destruíram.
Ao contrário, burilaram minhas emoções, fortaleceram meus sentimentos e eliminaram o que não era essencial.
Hoje, mais do que nunca, reconheço a grandeza da vida.
Esse espetáculo que não apenas observo, mas sinto e degusto.
Apesar das resistências, cá estou.
Viva. Inteira, presente e me achando linda, tanto quanto nos meus 15 anos, quanto tudo se resumia numa fantástica descoberta.
Ainda capaz de usufruir do amor, do respeito e da admiração que fui semeando ao quebrar regras que nunca fizeram sentido para mim, mesmo nos terrenos mais áridos.
E acreditem… foram muitos.
Regina Carvalho – 22.03.2026 – Pedras Grandes/SC
Ilustração IA

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