sábado, 14 de março de 2026

SAUDADES DA MINHA BAHIA

Não que por aqui eu não esteja feliz; afinal, estou em meio a tudo que gosto: meus filhos, a natureza exuberante e, agora, na perspectiva da chegada de meu primeiro neto. Além disso, a vida ofereceu-me uma gatinha que batizei de Pérola, que já chegou trazendo dois minúsculos filhotinhos, que, se me dão trabalho e despesa, por outro lado promoveram uma mudança em minhas velhas afirmativas de detestar gatos.

Pois é… mordi minha própria língua.


Voltando à Bahia, penso que fui tão feliz em minha brejeira e acolhedora Itaparica, de onde jamais pensei me despedir, que parte dela, sorrateiramente, viajou comigo e, como criança birrenta, puxa a barra de minha saia emocional, pedindo que retornemos.

Às vezes puxa com tanta força que tropeço nas lembranças, engasgando-me com as águas mornas e mansas de minha Ponta de Areia, que, eufórica e descuidada, tantas vezes engoli; dobrando-me com uma dor sem ferida.

Mas fazer o quê, se o tempo passou, meu amor se foi e a idade pede mais que escolha, exigindo e cobrando presença e amparo?

Pauso as teclas e vou até a balaustrada da varanda. Aprecio a neblina se dissipando, comparando-a a Deus em sua infinita misericórdia por ter me proporcionado sem qualquer maior mérito meu, o melhor de tudo: a sensibilidade para reconhecer as grandezas que me foram oferecidas.

Então, emocionada, agradeço, pedindo desculpas pela minha insensatez de ainda não compreender que a vida não é estática. Ela caminha junto de mim, faça sol ou chuva, cá ou acolá, proporcionando-me verdadeiras pérolas e garantindo-me plenitude até mesmo para sentir saudades.

Regina Carvalho

14.03.2026 – Pedras Grandes, SC

Ilustração IA

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