E então, depois de viver um dia intenso e profundamente alegre, desses que cansam o corpo, porque, afinal, a senhorinha é forte, mas não é de ferro, amanheço, como de hábito, a escrever e a avaliar a minha vida. Entre um gole de café e outro, vou dedilhando os meus escritos com a certeza absoluta de que, sem eles, a minha existência perderia brilho e sentido.
Sempre que tenho a oportunidade de estar com meus filhos juntos por algumas horas, observo-os, percebendo com nitidez o que cada um absorveu de mim e do meu Roberto. Só posso agradecer por terem feito parte das nossas vidas. Cada qual peneirou o máximo que pôde do nosso pior e, mesmo deixando alguns grãozinhos esquecidos na peneira, levou consigo o que para nós sempre foi essencial: a autenticidade, sem recuar por medo das opiniões alheias, ainda que isso, por vezes, afrontasse as regras do politicamente correto.
E então, inevitavelmente, penso na natureza, essa paixão que nunca me abandonou. Mesmo enfrentando sol, chuva, granizo, raios, trovões, secas, inundações e o abuso constante do ser humano, ela renasce esplendorosa. Não esconde feridas, não camufla dores, medos ou frustrações. Pelo contrário: expõe, sem pudor, a sua vontade imensa de permanecer viva, usufruindo de tudo o que ela própria, incansável e generosa, oferece. E enfrenta riscos e consequências com a coragem que tantas vezes falta a nós, humanos.
Pois é…
"A liberdade cresce onde a verdade não tem medo de se mostrar."
Concluo, então, que fecho com saldo positivo mais este balancete de vida e liberdade.
Regina Carvalho — 30.11.2025, Tubarão (SC)

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