Neste amanhecer de chuva e de um fresquinho beirando o frio, penso na noite de ontem, abafada e acalorada. Aí, ao invés de praguejar, lembrando das delícias tropicais que simplesmente adoro, opto por curtir este clima diferente e quase sempre instável, beirando a bipolaridade. Ele traz consigo novas imagens, sons e aromas que, aos pouquinhos, absorvo, enriquecendo cada vez mais harmoniosamente os meus conhecimentos, muito além do aspecto apenas climático.
Levantei e abri a janela do meu quarto, só para voltar para a cama e poder apreciar o dia nascendo. Ele lentamente trazia luz a toda a vegetação que se exibia diante de meus olhos, enquanto, generosa, deixava o azul do céu, mesmo que timidamente por conta das nuvens, adentrar em minhas retinas, num bom dia simplesmente espetacular.
E aí, percebo-me sorrindo por reconhecer na minha forma de ser uma pessoa que tem sido capaz de extrair o melhor de tudo que se apresentou, mesmo quando era difícil, aparentemente inacessível e inédito à minha realidade. Não que eu tenha sido sempre uma mosca morta, incapaz de escolher, mas apenas alguém que, por alguma razão, crê existir no diferente, e até mesmo no contrário, algo de útil ao meu próprio desenvolvimento.
Aprender a ouvir e a enxergar, fazendo das mensagens um novo caminho mental de estímulo ao raciocínio avaliativo, é, a meu ver, um precioso insumo à questão crítica. Um precioso mecanismo que gera ampliação intelectual e conforto íntimo.
Penso, então, no quanto me tem valido ler e reler o Novo Testamento, em especial Mateus, mesmo não sendo uma pessoa religiosa. Através desta continuada leitura, fui aprendendo cada vez mais a interpretar não só as palavras, mas principalmente as intenções de Jesus. Para tanto, relembro Mateus 7:12, que relata o alicerce ético do ensinamento de Jesus, colocando-nos no lugar do outro, seja ele quem for, com ideias, origens e costumes por mais diferentes que sejam de nós, estimulando-nos a sermos dignos e empáticos em nossas ações.
Lendo e relendo, fui percebendo que, quanto mais absorvia esta bendita regra de ouro, também mais me adaptava aos movimentos da existência, sem fazer de cada um o meu Deus ou o meu Diabo vivencial. Já que de tudo havia, sempre, algo bom e saudável para avaliar e aproveitar.
Simples assim.
Regina Carvalho — 07.11.2026 — Pedras Grandes, SC
Ilustração-IA
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